AFP

Para a deputada socialdemocrata Miriam Dalli, não se pode prolongar a licença "enquanto as incertezas não forem dissipadas"

(afp_tickers)

Os deputados do Parlamento Europeu questionaram a Comissão Europeia nesta terça-feira (13) sobre a independência dos estudos científicos nos quais a Agência Europeia de Segurança Alimentar (EFSA) se baseou para considerar o glifosato, um herbicida controverso, como não cancerígeno.

O debate realizado na sede do Parlamento Europeu em Estrasburgo (nordeste da França) ocorre quase um mês depois de Bruxelas decidir relançar o procedimento para tentar convencer os países do bloco a autorizarem o glifosato a longo prazo, após fracassar em uma tentativa anterior.

Para reiniciar o caminho para a extensão do uso do glifosato, cuja licença expira no final de 2017, a Comissão se baseou em relatórios, como o da EFSA, que afirmavam que este herbicida não era cancerígeno.

No entanto, a maioria dos grupos parlamentares se uniu nesta terça-feira às críticas das ONGs e de cientistas independentes aos estudos utilizados pela agência europeia, facilitados pela indústria fitossanitária.

Para a deputada socialdemocrata Miriam Dalli, não se pode prolongar a licença "enquanto as incertezas não forem dissipadas".

"A Comissão deve tentar se assegurar de que haja um estudo independente", apontou.

Norbert Lins, deputado do principal grupo do Parlamento europeu (PPE, direita), pediu que seja respeitada uma votação anterior da Casa a favor de uma extensão de sete anos da licença com inúmeras restrições.

O Comissário Europeu para a Segurança Alimentar, Vytenis Andriukaitis, defendeu a "abordagem cautelosa" seguida pela instituição há vários meses, destacando que os especialistas da UE "tiveram acesso aos dados brutos e tiraram suas próprias conclusões".

AFP

 AFP