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Comapração do planeta Kepler-452b com a Terra, feita pela Nasa, em 23 de julho de 2015

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O novo exoplaneta descoberto pela Nasa alimenta entre os cientistas a esperança de descobrir uma irmã gêmea da nossa Terra e talvez alguma forma de vida em algum lugar da Galáxia.

- Trata-se realmente do exoplaneta mais parecido com a Terra?

Situado a 1.400 anos luz da Terra, o novo exoplaneta batizado Kepler 452b, gira em torno de uma estrela cujas características são muito parecidas com as do Sol.

"O Kepler 452b faz sua órbita ao redor de sua estrela em 385 dias, o que é muito parecido com o percurso feito pela Terra", explicou à AFP Emeline Bolmont, astrônoma da Universidade de Bordeaux. "Mas é um pouco maior se comparado à Terra".

Segundo a Nasa, o Kepler 452b tem muitas probabilidades de ser rochoso, mas ainda não é possível ter qualquer certeza de que seja: é o que diz Tom Kerss, astrônomo do Observatório Real de Greenwich: "Até o momento, não sabemos se este planeta é terrestre, rochoso ou se é um pequeno planeta gasoso. Se o Kepler 452b se mostrar ser um mundo terrestre, será o mais parecido com a Terra que se conhece até o momento em torno de uma estrela".

O astrofísico Jean Schneider, do observatório de Paris, se mostrou mais cético que seus colegas. "Esta descoberta não será o ponto de partida de algo interessante, a menos que o futuro telescópio James Webb (que será lançado em 2018) possa nos dar indícios sobre a composição de sua atmosfera".

- O que podemos esperar encontrar neste planeta?

A Nasa anunciou que seria possível encontrar água em estado líquido no planeta, o qual permitiria a existência de vida tal como conhecemos.

Segundo Tom Kerss, "o Kepler 452b tem grandes possibilidades de ser um exoplaneta potencialmente habitável, com mais semelhanças com nosso mundo do que qualquer outro lugar de nosso Sistema Solar".

Para Emeline Bolmont, "até conhecer sua massa e gravidade, não será possível definir as grandes características de sua atmosfera e dificilmente será possível determinar se ele é habitável ou não".

Para o astrofísico Hubert Reeves, "não é impossível, mas ainda é absolutamente incerto que haja vida neste planeta". "E certamente não há elefantes nem girafas, mas sim amebas e vírus". Para Reeves, trata-se de uma descoberta muito importante. "Nós tiramos a sorte grande".

André Bahic, astrofísico, garante: "É possível sonhar que existe água, habitantes, mas não devemos nos entusiasmar rápido demais".

- Existe possibilidade de encontrar uma irmã gêmea da nossa Terra?

"Cada descoberta de um planeta potencialmente habitável reacende nossas possibilidades de descobrir uma "gêmea da Terra". "mas até o momento nossos conhecimentos não nos permitem alcançá-lo fisicamente", explicou Tom Kerss.

"No caso de Kepler 452b, temos um planeta com uma estrela mas não do tamanho adequado, enquanto que com Kepler 186 - também descoberto pelo telescópio Kepler - temos um planeta do tamanho da Terra, mas sem estrela" como o Sol, explicou Bolmont." "Um dia, certamente teremos as duas coisas. Nos aproximamos pouco a pouco do planeta indicado", comemorou a pesquisadora.

Uma certeza compartilhada por André Bahic: "Estamos agora certos de que existem provavelmente milhões de planetas como a Terra no céu. Chegaremos a outras terras como nossos antepassados chegaram à América ou à Oceania".

- Um planeta gêmeo para quê?

"Talvez em um futuro distante, os seres humanos desenvolverão a tecnologia necessária para viajar na galáxia e começar a explorar os milhares de milhões de mundos escondidos entre as estrelas", imagina Tom Kerss. "Com certeza o santo Graal seria encontrar um mundo habitável com vida extraterrestre e poder finalmente responder à pergunta: Estamos sozinhos?

AFP