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Casa destruída após o terremoto ocorrido na segunda-feira em Casamicciola Terme, na ilha italiana de Ischia, no dia 22 de agosto de 2017

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O leve tremor que sacudiu a ilha italiana de Ischia na segunda-feira, causando desabamentos e dois mortos, gerou uma onda de polêmica e reações na quarta-feira pelo número elevado de construções ilegais que põem em risco a vida da população.

Para especialistas, é inconcebível que um tremor de magnitude 4.0 tenha causado tantos danos, e por isso denunciam um dos grandes males do país: o descumprimento das normas, com o uso de materiais de má qualidade.

Só em Ischia foram recebidos 28.000 pedidos de anistia por infração das normas de construção nos últimos 30 anos.

Este fenômeno se estende por toda a Itália, onde o Legislativo aprovou nos últimos 30 anos três leis para anistiar e regularizar construções ilegais - algo surpreendente porque não leva em conta suas graves consequências.

O prefeito da cidade italiana de Licata, Angelo Cambiano, líder na luta contra a praga das edificações ilegais, foi obrigado a renunciar este mês pelos vereadores devido à sua campanha a favor da demolição das construções ilegais.

O Instituto Nacional de Estatísticas da Itália (ISTAT) registrou no ano passado um "aumento decisivo da ilegalidade" no setor da construção, com quase 20% novos edifícios que descumprem as normas.

Este número aumenta para 60% em algumas regiões do sul. Um fenômeno que "não tem comparação em outras economias avançadas", admitiu a entidade.

Durante os terremotos do ano passado no centro da península, desmoronaram vários edifícios restaurados segundo as normas sísmicas aprovadas em 1970, inclusive escolas e hospitais.

Apesar das construções com materiais de má qualidade ou sem licença, as ordens de demolição são aplicadas em apenas 10% dos casos e em muitos, a Justiça assegura que não tem os recursos suficientes para aplicar a medida.

Regiões do sul do país, como Calábria, Sicília e Basilicata são consideradas a "roleta russa de Itália", devido à perigosa mistura de casas ilegais, densidade populacional e a proximidade com o vulcão Vesúvio, ativo.

Nesta zona há mais de 4.500 escolas, 259 hospitais e quase 900.000 edifícios.

O geólogo Mario Tozzi advertiu que, além do Vesúvio, a região é ameaçada pela atividade dos chamados campos vulcânicos Flégreos, uma caldeira vulcânica situada a 9 quilômetros da cidade de Nápoles.

Tremores, gases cada vez mais quentes, o vulcão "está acordando", afirma Tozzi, o que poderia provocar uma verdadeira catástrofe.

Para o geólogo "não é culpa da natureza que as crianças terminem soterradas sob os escombros, mas da corrupção, da incompetência política e da nossa incapacidade de aprender com a história", resumiu.

Por isto, não o surpreende que em julho tenha morrido no desabamento de seu próprio edifício o arquiteto da prefeitura de Nápoles, encarregado de fazer os controles de sua zona. Na roleta russa, ele levou a pior.

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AFP