Conteúdo externo

O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.

A logo da Toshiba, em Tóquio, no dia 15 de maio de 2017

(afp_tickers)

O desmembramento da Toshiba, obrigada a vender seus melhores negócios para se salvar da falência, ilustra a crise dos grandes conglomerados japoneses de eletrônica que durante décadas dominaram o mercado mundial.

Especialistas apontam que os últimos anos provaram ser possível algo impensável até então: o desaparecimento dos grandes nomes da tecnologia do Japão.

A Sanyo já fechou as portas, a NEC sobrevive - mas sem os negócios que lhe renderam fama, computadores portáveis e telefones móveis - e a Sharp se salvou nos últimos momentos, quando foi comprada pelo gigante taiwanês Hon Hai.

Ao mesmo tempo, grupos como a Panasonic e a Hitachi abandonam, pouco a pouco, suas atividades de eletrônicos para consumo, movendo-se para os setores da construção, automobilístico ou aeronáutico.

A Toshiba, cujas origens remontam a 1875, simbolizou durante décadas o êxito da indústria japonesa na era Meiji, do fim do século XIX ao começo do XX, quando o Japão se transformou e entrou na modernidade.

Mas, agora, o conglomerado enfrenta uma situação dramática e se vê obrigado a vender seus melhores negócios, como a lucrativa subsidiária de cartões de memória Toshiba Memory.

Os compradores em potencial estão se digladiando para ficar com o negócio, uma "galinha dos ovos de ouro" que gera, a cada ano, resultado operacional de 4 bilhões de euros, indica Masahiko Ishino, do Tokai Tokyo Research Center.

"É como uma batalha pela herança, cada um tenta ficar com a maior parte", garante.

De acordo com Yasuyuki Onishi, autor de um livro sobre "O Desmembramento da Toshiba", a venda da subsidiária é um prenúncio do "dia em que os fabricantes japoneses de eletrônica vão deixar de existir".

Muitos conglomerados venderam suas atividades, sem substituí-las por outras, contudo.

Diante desta situação, o Estado japonês decidiu criar um fundo semipúblico, chamado INCJ, que conseguir salvar no limite a Renesas, empresa especializada em circuitos integrados, tornando-se seu principal acionista.

Além disso, quando Sony, Toshiba, Hitachi e Panasonic, entre outras, decidiram deixar o setor das pequenas telas LCD e OLED, o fundo criou duas empresas, a Japan Display e a Joled.

Agora, o INCJ também quer acudir ao resgate dos cartões de memória da Toshiba, se oferecendo para ser comprador dentro de um consórcio liderado pelo fundo americano Bain Capital.

Segundo Onishi, o fracasso da Toshiba se agravou sobretudo após a decisão de comprar, em 2006, o grupo nuclear americano Westinghouse, "um fracasso total".

O contexto de então era desfavorável, com regras muito estritas nas centrais nucleares, em consequência dos atentados de 11 de setembro e com o sucesso do gás de xisto.

"Mesmo assim, a Toshiba seguiu a política pró-nuclear do governo japonês", explica Onishi, uma política agora totalmente obsoleta após o acidente de Fukushima de 2011.

Essa compra é "a principal causa da crise que hoje o grupo enfrenta", aponta o especialista. Segundo ele, se a Toshiba vende seus negócios mais lucrativos é porque o Estado japonês não quer que ela abandone o setor nuclear, apesar das dificuldades.

Assim, o grupo "corre o risco de se tornar apenas um especialista em desmantelar centrais nucleares japonesas", adverte Onishi, e mais cedo, ou mais tarde "vai acabar desaparecendo".

Até recentemente, a Toshiba, que tem 190 mil funcionários, era conhecida, ao lado da Hitachi, pela ampla gama de produtos oferecidos, entre eles, chips, reatores nucleares, computadores, televisores, escadas rolantes, elevadores elétricos e inúmeros produtos e serviços para indivíduos e empresas.

Mas, em apenas dois anos, o conglomerado, afetado também pelo escândalo de seus contas falsificadas e a quebra da Westinghouse, teve que se desfazer de grande parte dos seus negócios.

Neuer Inhalt

Horizontal Line


subscription form

formulário para solicitar a newsletter

Assine a newsletter da swissinfo.ch e receba diretamente os nossos melhores artigos.

swissinfo.ch

Banner da página Facebook da swissinfo.ch em português

AFP