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Jornalistas e membros da sociedade civil protestam contra o assassinato do jornalista Ruben Espinosa na Cidade do México

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Um ex-presidiário foi detido durante as investigações do múltiplo homicídio do fotojornalista Rubén Espinosa e de quatro mulheres, sendo uma colombiana, um crime que sacudiu o México e espalhou o medo no meio jornalístico.

A perícia localizou uma digital no apartamento onde ocorreu o crime na sexta-feira, que ao ser confrontada com a base de dados do ministério público lançou "um registro positivo com antecedentes penais de violação e lesões", explicou nesta quarta-feira o promotor da capital, Rodolfo Ríos, em coletiva de imprensa.

"A polícia de investigação já localizou (o suspeito) e já foi apresentado no ministério público" para ser interrogado sobre sua possível participação neste crime, acrescentou Ríos ao informar que o homem tem nacionalidade mexicana.

O suspeito cumpriu pena de nove anos e seis meses em uma prisão da capital mexicana, informou depois o promotor à emissora Radio Fórmula.

Os corpos de Espinosa, que chegou à capital fugindo de ameaças no estado de Veracruz (leste), e as outras vítimas foram encontradas com as mãos amarradas, com impactos de bala, marcas de tortura e, no caso das mulheres, com vestígios de violência sexual.

O ministério público divulgou na terça-feira um vídeo de câmeras de segurança, localizadas no prédio onde o crime foi cometido, em uma área de classe média da capital, no qual é possível ver os três suspeitos saindo calmamente às 15H02 daquela sexta-feira.

Dois deles - um levava uma maleta - deixaram o local caminhando em direções diferentes e um terceiro abordo um automóvel Mustang que inicialmente acreditava-se pertencer a uma das vítimas, mas os promotores esclareceram ser de propriedade de um homem que ainda não foi localizado.

O promotor informou nesta quarta-feira que os três suspeitos entraram no local passado o meio-dia.

Em outra antecipação das investigações do múltiplo homicídio, Ríos informou que o consulado da Colômbia confirmou plenamente a identidade e a nacionalidade de uma das vítimas.

Os promotores investigam o entorno das vítimas para determinar se os supostos assassinos conheciam alguma delas ou se alguém lhes facilitou o acesso, uma vez que as fechaduras do apartamento e do prédio não foram forçadas.

No relatório apresentado no domingo, o promotor apontou o roubo como possível motivação do crime, mas organizações de defesa da liberdade de expressão e as Nações Unidas pediram que se investigue se o crime foi uma forma de represália pelo trabalho jornalístico de Espinosa.

O repórter fotográfico tinha procurado refúgio na Cidade do México, após sofrer várias agressões em Veracruz, como uma surra encomendada por policiais em 2013 e intimidações recentes.

Às margens do Golfo do México, Veracruz é considerado o estado mexicano mais perigoso para os jornalistas, com 11 comunicadores mortos e quatro desaparecidos desde que o governador Javier Duarte, do governista PRI, assumiu o poder.

O México é um dos países mais perigosos para a imprensa, com pelo menos 88 jornalistas e trabalhadores de mídia assassinados desde 2000, segundo a organização Repórteres sem Fronteiras.

AFP