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O papa Francisco saúda vítimas da violência na Colômbia diante da nunciatura de Bogotá

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Esta sexta-feira foi um dia de choro e perdão, em que até um mártir de gesso comoveu o papa. Com a emoção à flor da pele, Francisco voltou a se vangloriar de estar conectado com o gosto dos colombianos.

- Perdão indígena -

Os indígenas colombianos, uma das grandes vítimas da cruz desde os tempos da Conquista, tiveram seu momento de sintonia com o papa.

Na missa, representantes de várias comunidades nativas entregaram ao pontífice um bastão de comando, símbolo sagrado de autoridade, vestiram-lhe um chapéu 'vueltiao' de abas largas, típico do norte, e puseram-lhe um colar de sementes.

Pachacanchai, um jovem do povoado indígena Yanacona, assentado no departamento (estado) do Cauca, um dos mais castigados pela guerra fratricida colombiana, chegou a Villavicencio para perdoar.

Embora não seja católico, atravessou meio país durante quatro dias junto com uma delegação de seu povo para "fazer a paz com a religião", disse à AFP.

Enquanto mastiga poporo, uma mistura de ervas ancestrais, pede que respeitem-lhe sua visão cosmológica. "Como sábios da natureza, temos a capacidade de dar um perdão (à Igreja) com o que aconteceu" desde a Conquista.

Francisco tocou em uma das questões mais sensíveis dos povos originários: a defesa da natureza, da Mãe Terra.

- Palavra de Juanes -

Antes de ver a face de vítimas e algozes arrependidos, Francisco fez um novo gesto aos anfitriões.

Se na véspera foi Gabriel García Márquez o artista mais citado pelo pontífice, na sexta-feira foi a vez de Juanes, um dos cantores colombianos mais célebres e talvez o mais comprometido com a paz.

"Um compatriota de vocês canta com beleza: 'as árvores estão chorando, são testemunhas de tantos anos de violência. O mar está marrom, mistura de sangue com a terra'".

Em plena missa, o papa citou uma estrofe de 'Minas Tierras', canção composta por Juanes em 2007 após conhecer 35 sobreviventes de minas antipessoais.

- Mártir de gesso -

O drama colombiano entrou no imaginário católico. Sujo e mutilado durante um massacre que deixou 79 mortos em 2002, o Cristo de Bojayá foi posto no centro do ato, onde o papa se comoveu com quatro testemunhos de horror sobre o conflito.

"Ver o Cristo assim, mutilado e ferido, nos compele. Não tem mais braços e seu corpo não está mais lá, mas conserva seu rosto e com ele nos olha e nos ama. Cristo quebrado e amputado, para nós é 'mais Cristo' ainda porque nos mostra mais uma vez que Ele veio para sofrer por seu povo e com seu povo", disse o papa diante das vítimas.

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AFP