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Diante do fechamento de fronteiras devido à cepa, Johnson tranquiliza sobre suprimentos

Área vazia no porto de Dover, Kent, sudeste da Inglaterra afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 21. dezembro 2020 - 12:14
(AFP)

O primeiro-ministro Boris Johnson tentou tranquilizar os britânicos nesta segunda-feira (21), depois que vários países suspenderam as conexões com o Reino Unido devido a uma mutação do novo coronavírus, ameaçando agravar o caos a dez dias do Brexit.

Faixas nas rodovias do sul da Inglaterra alertam os viajantes e motoristas que transportam mercadorias sobre o fechamento da fronteira com a França, que anunciou no domingo à noite a suspensão das ligações terrestres, marítimas e aéreas com o país durante 48 horas.

Muitos produtos importados pelos britânicos chegam ao país a partir da França. Uma importante rede de supermercados, Sainsbury's, advertiu que se as perturbações persistirem, o país pode registrar falta de alimentos frescos como alface, couve-flor, brócolis ou frutas cítricas.

No sentido contrário, o exportador escocês de frutos do mar Lochfyne denunciou como um "desastre" o bloqueio de caminhões carregados de peixes vivos no valor de "milhões de libras" com destino ao continente: "se passar 48 horas, não chegaremos a tempo da entrega de Natal" que para esses produtos é "o maior mercado do ano", afirmou no Twitter.

Mas em entrevista coletiva transmitida pela televisão, Johnson garantiu que os bloqueios "afetam apenas a carga transportada por humanos" (muitos contêineres viajam sozinhos de navio), ou seja, "apenas 20% do total que vem ou vai para o continente europeu".

Isso "significa que a grande maioria dos alimentos, remédios e outros suprimentos entram e saem normalmente", disse ele após presidir uma reunião de emergência de seu governo.

"Acabei de falar com o presidente (francês Emmanuel) Macron" e "queremos resolver esses problemas o mais rápido possível", acrescentou.

- Nova cepa de coronavírus -

As autoridades britânicas garantiram que os estoques podem durar vários dias, mas existe o temor de uma corrida dos consumidores, vítimas do pânico, a quatro dias das festas de Natal, que em cidades como Londres foram prejudicadas pela detecção da nova cepa do vírus.

Embora não pareça mais letal que as anteriores, esta variante é até 70% mais contagiosa, afirmou o ministro da Saúde britânico, Matt Hancock.

Sua presença foi detectada em Gibraltar, Dinamarca e Austrália, afirmou hoje um porta-voz do governo britânico.

Hancock reconheceu no domingo que neste contexto será difícil conter a pandemia no Reino Unido, um dos países mais afetados da Europa pela covid-19, com mais de 67.000 mortes confirmadas, até que se possa expandir uma recém-iniciada campanha de vacinação.

Por este motivo, em uma contradição com todas as suas promessas, Johnson voltou a determinar, no domingo, o confinamento dos nove milhões de londrinos e de outras sete milhões de pessoas no sul do país, onde as famílias não poderão se reunir para o Natal.

Em outras regiões do Reino Unido, os cinco dias previstos de flexibilização das restrições foram reduzidos apenas ao 25 de dezembro.

- Dez dias para o Brexit -

O porto britânico de Dover, o principal no Canal da Mancha, por onde passam diariamente quase 10.000 caminhões, interrompeu o tráfego de saída "até nova ordem".

O ministro dos Transportes francês, Jean-Baptiste Djebbari, anunciou no Twitter a preparação, "nas próximas horas", pelos países europeus de um "protocolo de saúde para que os fluxos de mercadorias a partir do Reino Unido possam ser retomados".

Enquanto isso, o Reino Unido recorreu aos dispositivos há meses preparados para a eventualidade de um Brexit sem acordo, desviando os caminhões que chegavam a Dover para enormes estacionamentos criados para esse fim.

O caos nas redes de abastecimento ilustra o que aconteceria no caso de uma separação entre Londres e a UE dentro de 10 dias sem um acordo comercial que evite barreiras alfandegárias.

O Reino Unido, que abandonou oficialmente a União Europeia em 31 de janeiro, cortará definitivamente os laços com bloco no fim do mês.

Apesar do pouco tempo restante, britânicos e europeus continuam sem alcançar um acordo comercial, que suavize as consequências da ruptura.

Com a nova situação, a primeira-ministra escocesa, Nicola Sturgeon, grande crítica do Brexit, e o prefeito de Londres, o trabalhista Sadiq Khan, pediram a Johnson que prologue o período de transição pós-Brexit além do fim do ano.

"Nossa posição sobre o período de transição é clara: ele terminará em 31 de dezembro", insistiu o porta-voz de Downing Street, observando que as negociações entre Londres e Bruxelas continuam, apesar do fato de que "ainda há diferenças significativas em questões-chave".

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