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(Arquivo) A presidente Dilma conversa com o vice-presidente Michel Temer, em Brasília, no dia 16 de dezembro de 2015

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A presidente Dilma Rousseff acusou seu vice Michel Temer (PMDB-SP) de traição, nesta terça-feira, depois do vazamento de uma gravação, na qual o peemedebista já dá a chefe de Estado como destituída.

O vazamento revela "esse chefe conspirador que não tem compromisso com o povo", declarou Dilma durante uma reunião sobre educação no Palácio do Planalto.

"Vivemos estranhos tempos de golpe, farsa e traição", afirmou Dilma.

"Agora conspiram abertamente (...) para desestabilizar uma presidenta legitimamente eleita", insistiu.

"Ontem, ficou claro que existem, sim, dois chefes do golpe que agem em conjunto e de forma premeditada", declarou a presidente, referindo-se, indiretamente, a Temer e ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Vários sites publicaram um áudio de 15 minutos, no qual Temer se dirige ao "povo brasileiro", em uma versão do discurso que faria à Câmara dos Deputados, se o processo de impeachment de Dilma fosse autorizado pela Casa. O vazamento foi interpretado pelo governo como mais uma prova da tentativa de "golpe" liderada pela oposição.

Na mensagem distribuída para seus correligionários, o peemedebista afirmou que é preciso "um governo de salvação nacional", acrescentando que o momento exige a "pacificação" e a "reunificação" do país.

A assessoria de Temer alega que o vazamento do áudio foi "acidental".

A presidente Dilma está na reta final de sua luta contra um possível impeachment, apresentado pela oposição por suspeita de maquiagem das contas públicas, as chamadas "pedaladas fiscais", em 2014, quando foi reeleita, e em 2015.

Corrupção endêmica

Nesta terça, o ex-senador Gim Argello (PTB-DF) foi preso pela Polícia Federal (PF), acusado de ter cobrado propina para bloquear investigações parlamentares sobre a rede de corrupção na Petrobras.

Argello foi preso preventivamente, logo cedo, no âmbito da 28ª fase da operação Lava-Jato, intitulada "Vitória de Pirro".

Concentrada em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo, a operação "tem como alvos o ex-senador Gim Argello (...) e pessoas relacionadas com ele", informa o Ministério Público do Paraná.

"Cumpriram-se uma ordem de prisão preventiva, duas de prisão temporária, cinco de interrogatórios forçados" e se determinou "o bloqueio de ativos de duas das pessoas investigadas e de três pessoas jurídicas", completa o comunicado do MPF-PR.

Segundo o Ministério, as detenções foram ordenadas com base em "provas (...) de que dirigentes de empreiteiras envolvidas no esquema criminoso que se serviu da Petrobras pagaram (...) propina ao então senador Gim Argello para evitar serem convocados a prestar declaração" nas comissões parlamentares que investigavam o escândalo na empresa.

"Até o momento, foram coletadas provas de subornos pagos a Gim Argello pelas empreiteiras UTC Engenharia e OAS" em 2014, sendo de R$ 5 milhões no primeiro caso, e de R$ 350 mil, no segundo.

"Os fatos são alarmantes porque há fortes indícios de que uma comissão de investigação parlamentar, que tem um importante papel de investigação de fatos graves em nossa democracia, foi usada por um então senador para, em vez de combater a corrupção, praticá-la", afirma o procurador da Lava-Jato Athayde Ribeiro Costa, em comunicado do MPF.

AFP