Conteúdo externo

O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.

A presidente Dilma Rousseff, em Brasília, no dia 27 de abril de 2016

(afp_tickers)

A presidente Dilma Rousseff disse, em entrevista à rede de televisão americana CNN, que vai ficar "muito triste" se não for presidente durante os Jogos Olímpicos, o que acontecerá caso o Senado aprove a abertura do processo de impeachment. A votação está prevista para a segunda semana de maio.

A presidente afirmou, no entanto, que está ainda "mais triste" com a "injustiça" que está sofrendo.

Perguntada pela jornalista Christiane Amanpour como se sentirá caso não possa ser a anfitriã dos jogos, Dilma respondeu:

"Eu vou ficar muito triste, porque nós fizemos, eu acho, um trabalho muito bom. (...) Eu gostaria muito de participar dos Jogos porque eu ajudei a construir, desde o momento em que nós aceitamos a matriz de responsabilidades, eu estava presente como chefe da Casa Civil".

"Mas eu estou mais triste porque eu acho que a pior sensação para qualquer ser humano é a injustiça, e eu estou sendo vítima de uma grande injustiça, que é esse processo de impeachment", acrescentou.

Questionada por Amanpour se ela acha que será afastada do cargo, Dilma afirmou que lutará para sobreviver.

"Mais do que pensar, eu lutarei para sobreviver, não só pelo meu mandato, mas pelo fato de que o que eu estou defendendo é o princípio democrático que rege a vida política brasileira", declarou.

"Todos os que fizeram o impeachment contra mim - os líderes, não estou falando da base - têm processo de corrupção, têm denúncias de corrupção, principalmente o presidente da Câmara", completou a presidente.

Caso o Senado decida pela instalação do processo de impeachment, após a derrota esmagadora que a presidente sofreu na Câmara dos Deputados no último dia 17 de abril, Dilma será afastada do cargo por até 180 dias, à espera de um julgamento que tratá a sentença definitiva.

As pesquisas realizadas pelos principais jornais brasileiros são unânimes em dizer que a oposição já tem mais que os 41 votos necessários no Senado para suspender Dilma. A própria presidente reconheceu, nesta semana, que o afastamento se tornou "inevitável".

Na entrevista, a jornalista ressaltou que, segundo as pesquisas, a presidente tem o apoio de apenas 10% da população, nível considerado muito baixo.

"No Brasil, um país com sistema presidencialista, como os Estados Unidos, ninguém pode ser levado a um processo de impeachment por impopularidade, porque a impopularidade é cíclica. Todos os presidentes ou primeiros-ministros da Europa que tiveram taxas de desemprego de 20% teriam que sofrer processo de impeachment, porque também tiveram profundas quedas na popularidade", afirmou a presidente.

Sentada em um escritório do Palácio do Planalto, Dilma disse, ainda, que é uma pessoa "que faz", e que é dedicada, mas que não é tão boa política como o ex-presidente Lula.

"O Lula é um grande político, melhor do que eu", disse.

AFP