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A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, discursa na Cidade do México, no dia 27 de maio de 2015

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A presidente Dilma Rousseff declarou nesta quarta-feira que todas as Copas do Mundo organizadas pela Fifa precisam ser investigadas, após a detenção de sete altos dirigentes da entidade na Suíça, entre eles José Maria Marin, ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol.

Dilma chegou até a citar a operação Lava-Jato, que envolve membros do próprio partido (PT), para dar exemplo de que todos os casos de corrupção precisam ser investigados.

"Eu acredito que toda investigação sobre essa questão é muito importante. Se tiver que investigar, que investiguem todas as Copas, todas as atividades. Essa postura vale para todos, desde a Lava Jato até este caso", afirmou a presidente do Brasil durante um encontro com jornalistas em meio a uma visita oficial no México.

"Acho que esta investigação vai permitir uma maior profissionalização do futebol. Não vejo como isso pode prejudicar o futebol brasileiro. Só vai beneficiar o Brasil", opinou.

"Considero que isso vale para todos. É preciso investigar, não vejo por que não", insistiu.

Ao ser perguntada sobre uma possível investigação no Brasil, Dilma explicou que "o problema central é que, na lei brasileira, não temos poder de fazer a mesma investigação que fazemos na área pública na área privada".

"Eu não sei a base legal que motivou a procuradoria americana dos Estados Unidos a fazer detenção", admitiu.

Mesmo assim, a presidente deixou claro que gastos realizados na organização do Mundial no Brasil no ano passado podem, sim, ser investigados.

"Tudo que foi na Copa do Mundo relativo a dinheiro nosso, e não deles (a Fifa), temos total direito de investigar. Agora, a Polícia Federal tem direito de investigar qualquer ação inidônea no Brasil, enfatizou.

Mais cedo, a CBF deixou claro que "apoia integralmente toda e qualquer investigação".

"A entidade aguardará, de forma responsável, sua conclusão, sem qualquer julgamento que previamente condene ou inocente", completou a entidade, além de "reafirmar seu compromisso com a verdade e a transparência".

Em Zurique, o presidente da CBF, Marco Polo del Nero, que sucedeu Marin, usou um tom bem diferente de Dilma, ao afirmar que o momento é "péssimo" para a entidade.

"É lógico que isto não é bom, é péssimo. Mas antes temos que saber o que aconteceu", disse o dirigente em seu hotel, abordado por jornalistas quando seguia para o elevador.

No Rio de Janeiro, o ministro do esporte, George Hilton, disse que "o governo brasileiro vai acompanhar as investigações",

"Defendemos que elas podem esclarecer definitivamente os fatos que foram apresentados e que a verdade seja naturalmente estabelecida e que os eventuais culpados sejam punidos na forma da lei", completou.

AFP