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Presidente Dilma Rousseff (centro), no Palácio do Alvorada, em 21 de abril de 2016

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A presidente Dilma Rousseff, ameaçada por um processo de impeachment, embarcou nesta quinta-feira rumo a Nova York, deixando o comando do país nas mãos do vice-presidente Michel Temer, a quem denuncia como líder de um "golpe de Estado".

O avião da presidente decolou às 10H20 com quase uma hora de atraso com relação ao horário previsto, informou a Presidência. A agenda oficial prevê a chegada de Dilma a Nova York às 18H55 local (19H55 de Brasília). Ainda se desconhece se ela retornará na noite de sexta ou no sábado pela manhã.

A presidente dará na sexta-feira aos signatários do acordo de Paris sobre o clima um discurso de "chefe de Estado", amplamente centrado nas mudanças climáticas, mas incluirá "uma frase" em alusão à crise política no Brasil, informaram à AFP fontes governamentais.

O chefe da Casa Civil, Jacques Wagner disse que a presidente falará do momento político brasileiro. "Ela não poderá deixar de manifestar sua indignação com o golpe que se está se construindo no Brasil; que o processo em curso é artificial e falso, porque Dilma é uma mulher honesta que não cometeu nenhum crime, e o que está havendo no país é o mau uso do impeachment".

A oposição criticou duramente a decisão de Dilma de apresentar sua versão sobre a crise em um fórum internacional. O senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), qualificou a atitude de "crime contra a pátria".

Durante sua ausência, o comando do Brasil ficará nas mãos do vice-presidente Temer, que a substituirá caso o Senado aprove um julgamento de impeachment, já autorizado na Câmara dos Deputados por suposta manipulação de contas públicas.

Dilma denuncia uma tentativa de "golpe de Estado", liderado por Temer e pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha.

Pela manhã, um grupo de jovens protestou em frente à casa de Temer, em São Paulo.

No mês passado, a crise impediu Dilma de assistir à cúpula sobre segurança nuclear celebrada em Washington, mas desta vez, ela decidiu comparecer à cerimônia em Nova York.

Ela desistiu, no entanto, de ir a Atenas, onde foi celebrada nesta quinta-feira o acendimento da tocha olímpica dos Jogos do Rio de Janeiro, que serão realizados em agosto, um evento que devia marcar a consagração do Brasil como potência emergente.

Mas desde então, o panorama do país degradou-se consideravelmente, com uma recessão que entra no segundo ano e uma crise política que paralisa o país.

Pouco antes do acendimento da tocha, o presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, evocou a situação do país-sede. "Apesar das dificuldades que o Brasil enfrenta atualmente, a tocha é uma recordação permanente de que todos fazemos parte da mesma humanidade", declarou.

AFP