A crise econômica provocada pelo coronavírus trouxe novamente à mesa o debate sobre "dinheiro de helicóptero", um sistema de injeções diretas no bolso dos consumidores para que gastem rapidamente e, desse modo, apoiem a recuperação.

Alguns estados já estão usando este sistema não convencional para sair da crise. É o caso dos Estados Unidos, que prevê em seu plano de resgate um cheque de 3.000 dólares para as famílias com dois filhos. Ou de Hong Kong, que paga mais de mil euros aos seus habitantes.

O que é "dinheiro de helicóptero"?

O economista americano Milton Friedman, considerado um dos pais do neoliberalismo, criou a expressão "helicopter money" nos anos 1960.

O vencedor do prêmio Nobel de Economia queria evitar o canal usual de transmissão de liquidez entre os bancos centrais, que criam moeda, e os bancos tradicionais.

"Como a política monetária nem sempre é eficaz e a orçamentária tampouco, porque existem muitos intermediários, sua ideia era alimentar diretamente o consumidor dando-lhe uma quantia global ou mensal", disse à AFP Philippe Waechter, chefe economista da Ostrum Asset Management.

Ao comprar bens com esse dinheiro, o consumidor teria teoricamente um efeito mais rápido sobre a economia.

Como se distribui esse dinheiro?

Existem duas maneiras principais. Na primeira, os bancos centrais giram esse dinheiro diretamente para a conta bancária dos consumidores. Na segunda, o Estado entrega o dinheiro aos cidadãos na forma de bônus, por exemplo, ou adotando medidas fiscais.

Então, o Estado se refinancia através do banco central para que seu endividamento não seja agravado pela medida, como prevê a ideia elaborada por Friedman.

Por que esse debate retorna?

Depois da crise financeira de 2008, os bancos centrais intervieram para relançar a economia comprando dívida pública e privada e rebaixando suas taxas de juros para níveis históricos, em alguns casos em bases negativas.

"Exceto pelas pessoas que se aproveitaram dessas taxas baixas para comprar imóveis, o impacto direto e imediato desta política monetária acomodável sobre o consumidor era quase inexistente", aponta Waechter.

Por isso Estados e economistas dizem a si mesmos que talvez seja melhor recorrer ao termo "dinheiro de helicóptero" após a parada brutal da economia devido ao coronavírus, para que a recuperação seja o mais rápida possível.

Por que este sistema é polêmico?

Os economistas não estão de acordo entre si sobre os resultados desta medida e alguns duvidam de que tenha um impacto determinante no consumo.

Além disso, existem dificuldades técnicas para que um banco central pague diretamente aos consumidores.

Se não houver um prazo para o consumidor gastar esse dinheiro, existe o risco de que economize e que a medida não tenha o efeito esperado.

A situação também é diferente de acordo com os países.

Nos Estados Unidos, por exemplo, o dinheiro que o Estado promete poderia ser usado primeiro para compensar despesas médicas ou a perda de empregos, como afirmou a economista-chefe da OCDE, Laurence Boone, ao canal francês BFM Business.

"O sistema de segurança social dos Estados Unidos não tem nada a ver com o da Europa", enfatizou, referindo-se, entre outros, ao desemprego parcial nos países da UE que permite evitar demissões à espera da recuperação.

Por sua parte, o economista francês Jean-Pisani-Ferry considera que, no momento, o assunto não se aplica.

"O consumo está agora sob pressão" pelas medidas de confinamento. "Esperemos que as coisas se esclareçam", disse à AFP.

Neuer Inhalt

Horizontal Line


Teaser Instagram

Siga-nos no Instagram

Siga-nos no Instagram

subscription form

formulário para solicitar a newsletter

Assine a newsletter da swissinfo.ch e receba diretamente os nossos melhores artigos.