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Esta fotografia obtida em 2 de agosto de 2017 mostra o bem preservado Borealopelta markmitchelli, de 110 milhões de anos, exposto no Royal Tyrrell Museum of Palaeontology em Drumheller, no Canadá.

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Um dinossauro extraordinariamente bem conservado de 110 milhões de anos encontrado no Canadá agora tem um nome e evidências de um passado problemático, de acordo com um estudo publicado nesta quinta-feira.

Com a pele e as escamas fossilizadas, a criatura que lembra um dragão é na verdade um novo tipo de nodossauro, batizado de Borealopelta markmitchelli, em homenagem ao técnico de museu Mark Mitchell, que passou mais de 7.000 horas retirando cuidadosamente as pedras de todo o espécime.

O estudo publicado na revista Current Biology o descreveu como "o dinossauro com uma couraça protetora mais bem preservado já encontrado, e um dos melhores espécimes de dinossauro do mundo".

A criatura de 5,5 metros de comprimento foi descoberta em 2011 por um operador de máquinas de mineração chamado Shawn Funk, que estava trabalhando na mina Suncor Millennium em Alberta.

O animal inteiro pesaria mais de 1.300 kg, estimam os pesquisadores. A parte recuperada abrange do focinho até os quadris do dinossauro.

Ao contrário da maioria dos espécimes de dinossauro, que consistem em esqueletos ou fragmentos ósseos, este é tridimensional e está coberto com uma pele escamosa preservada.

"Se você olhar de soslaio, quase poderia acreditar que ele está dormindo", disse o autor principal do estudo, Caleb Brown, cientista do Museu Royal Tyrrell, onde o exemplar está exposto.

"Ele ficará na história da ciência como um dos espécimes de dinossauro mais bonitos e melhor preservados - a Mona Lisa dos dinossauros", comparou.

- Luta para sobreviver -

Ao estudar a sua pele, os pesquisadores descobriram que este animal herbívoro, embora estivesse coberto com uma couraça e se assemelhasse a um tanque ambulante, provavelmente enfrentava uma ameaça significativa de dinossauros carnívoros.

Essa conclusão se deve a que esse nodossauro empregava uma técnica de camuflagem conhecida como contrassombreamento, que também é usada por muitos animais modernos.

Os pesquisadores usaram análises químicas de compostos orgânicos nas escamas do dinossauro para determinar o padrão de pigmentação desse novo gênero e espécie de dinossauro, o que mostrou que ele tinha a pele pigmentada marrom-avermelhada com contrassombreamento pelo corpo.

Isso pode tê-lo ajudado a se misturar com o meio ambiente quando abordado por um predador mais alto, dizem os pesquisadores.

Mas a maioria dos animais contemporâneos que contam com contrassombreamento - cervos, zebras ou tatus, por exemplo - são muito menores e mais vulneráveis ​​como presas, o que indica que esse nodossauro enfrentava uma verdadeira luta para sobreviver.

"A forte predação em um dinossauro maciço e fortemente blindado ilustra o quão perigoso os predadores de dinossauros do Cretáceo devem ter sido", disse Brown.

Os cientistas continuam estudando o animal em busca de pistas sobre a sua vida, incluindo a análise de seus conteúdos do intestino preservados para descobrir o que ele comeu em sua última refeição.

Eles acreditam que, quando o dinossauro morreu, caiu em um rio e foi arrastado para o mar, onde afundou de costas até o leito oceânico.

Naquela época, Alberta era tão quente quanto o sul da Flórida é hoje, e os rios e os oceanos provavelmente se estendiam mais para o interior do que agora.

O dinossauro foi revelado ao público pela primeira vez em maio, mas ainda não tinha um nome formal.

AFP