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Estudantes da Universidad de San Carlos protestam contra a intenção do presidente de Guatemala, Jimmy Morales, na Guatemala, no dia 28 de agosto de 2017

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A tentativa do presidente da Guatemala, Jimmy Morales, de expulsar o chefe de uma comissão antimáfia da ONU o deixou encurralado pelo repúdio internacional que sua ordem motivou e exposto a protestos nas ruas pedindo a sua renúncia.

Dezenas de índios, camponeses e estudantes foram às ruas do centro histórico da capital nesta segunda-feira para exigir a renúncia do presidente, conhecido pela maioria dos guatemaltecos pelo passado de comediante, antes de vencer as eleições há dois anos com a promessa de acabar com a corrupção galopante no país.

"O que o presidente pretende é garantir a impunidade ao evitar ser processado criminalmente por financiamento ilícito. É uma vergonha", disse à AFP a ativista do departamento indígena de Totonicapán, Andrea Ixchiu.

Morales ordenou no domingo a expulsão do ex-juiz colombiano Iván Velásquez, chefe da Comissão Internacional Contra a Impunidade na Guatemala (Cicig), uma entidade subordinada à ONU que funciona desde 2007, ao acusá-lo de se intrometer nos assuntos internos do Estado e extrapolar as suas funções.

A ordem de expulsão foi dada dois dias após Velásquez e a procuradora-geral, Thelma Aldana, iniciarem um processo para retirar a imunidade do presidente e investigá-lo sob suspeita de corrupção com fundos de campanha em seu partido, o direitista FCN-Nación.

Segundo Morales, a decisão é "pelo bem do país e não a título pessoal".

Foi justamente a Cicig que encurralou o ex-presidente Otto Pérez Molina (2012-2015) e a sua vice-presidente, Roxana Baldetti, forçando-os a renunciar. Ambos estão na prisão à espera do julgamento.

De todas as formas, a medida de expulsar Velásquez ainda não foi cumprida porque a Corte de Constitucionalidade, máxima instância judicial do país, outorgou três amparos provisórios para frear a decisão.

- "Não os farei chorar" -

O Procurador de Direitos Humanos, Jordán Rodas, disse a jornalistas que com sua atitude, o presidente "abre a possibilidade de uma situação de ingovernabilidade" e freia as ações para erradicar as máfias.

"A medida presidencial estimula a imagem de um Estado que não se esforça muito na luta contra a corrupção, o crime organizado e a impunidade", afirmou Rodas.

Morales está na memória dos guatemaltecos por seu personagem Neto, uma espécie de fazendeiro ingênuo no programa de televisão "Moralejas" (A moral das histórias, em tradução livre), que produzia junto com seu irmão Samuel, que causou um desgaste no governo ao se ver envolvido junto com um dos filhos do presidente em uma fraude no contrato de alimentos.

"Durante 20 anos os fiz rir, lhes prometo que se chegar a ser presidente não os farei chorar", afirmava Morales durante a campanha eleitoral.

Quase na metade de seu mandato de quatro anos, os críticos do governo assinalam que não cumpriu com as expectativas pelas quais foi eleito em 2015, em meio a uma crise por escândalos de corrupção no governo de Otto Pérez.

Morales, de 48 anos, direitista e protestante, também assegurou em seu caminho ao poder que não era "nem corrupto, nem ladrão", afirmação pela qual o recriminam nos protestos.

"Tenho que dizer que a decisão de expulsar o comissário da Cicig prejudicou a credibilidade deste governo nesta luta" contra a corrupção, assinalou o embaixador dos Estados Unidos na Guatemala, Todd Robinson.

Após acusá-lo de beneficiar os "setores corruptos", no domingo renunciou à cúpula do Ministério da Saúde e um funcionário comercial de alto escalão, enquanto o chanceler Carlos Raúl Morales foi destituído.

- Evitar a investigação -

Nesta segunda-feira, o governo informou em junta de gabinete que os outros ministros e secretários "apoiaram a gestão de Morales". Grupos de direita também expressaram a sua aprovação pela decisão de expulsar o ex-magistrado colombiano.

Velásquez ficou a cargo da Cicig em 2013, mas foi em abril de 2015 que seu nome ficou conhecido ao revelar junto com a Procuradoria uma fraude milionária nas alfândegas que derrubou Pérez, assinalado como o líder de uma rede que cobrava propinas para evadir impostos aduaneiros.

Álvaro Montenegro, integrante do coletivo "Justicia Ya", indicou à AFP que o presidente quer expulsar Velásquez para evitar a investigação de financiamento ilícito de campanha, além de favorecer os seus familiares.

"Todos os que foram acusados por casos de corrupção se aliaram para retirar Iván Velásquez" do país, alertou Montenegro, ativista do movimento surgido em 2015 durante os protestos contra o ex-presidente Pérez.

A Cicig, nas mãos de Velásquez, nos últimos anos revelou outros casos de corrupção envolvendo deputados, prefeitos e empresários.

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AFP