Navigation

Do Tinder ao 'Capitão América': vale tudo para atrair o eleitor

Luiz Carlos de Paula, vestido de 'Capitão América', é candidato a deputado estadual em São Paulo pelo PSL afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 30. setembro 2018 - 18:21
(AFP)

Com seu uniforme azul, "Capitão América" distribui panfletos aos pedestres. Candidato ao cargo de deputado pelo estado de São Paulo, este policial de 50 anos está pronto para fazer qualquer coisa para atrair a atenção dos eleitores.

Para se destacar entre os mais de 27.000 candidatos que concorrem nas eleições de 7 de outubro, alguns rivalizam em criatividade.

"Batman", "Snoopy" e vários Papais Noéis também aparecem, assim como Bin Laden, que tenta nova sorte depois de fracassar em 2014.

A lei eleitoral brasileira permite que os candidatos se apresentem sob o nome que quiserem, desde que não seja um insulto. Assim, um candidato do estado do Amapá não hesitou em registrar uma foto dele fantasiado de "Homem Aranha".

"Hoje em dia se você entrega um santinho vestido como uma pessoa comum, o cara pega e joga fora. Eu, vestido de super-herói, a pessoa pelo menos fica curiosa", disse à AFP o Capitão América, brandindo seu grande escudo estrelado em frente a um hospital infantil em São Paulo.

- Palhaçadas -

Mas o hábito não faz necessariamente o monge. Luiz Carlos de Paula, vulgo Capitão América, considera que é preciso incorporar também o espírito do super-herói.

"Para você se fantasiar e ser candidato tem que ter uma história. Não adianta você se vestir de Batman e sair e falar ‘sou Batman’", afirma o homem que se registrou oficialmente como Capitão América de Paula.

Em 2012, este policial sobreviveu milagrosamente após ser atingido por três balas durante um assalto à mão armada. Desde então, tem se fantasiado regularmente para visitar crianças com câncer em hospitais.

Essa iniciativa o tornou famoso em sua vizinhança e seus vizinhos o aconselharam a tentar a sorte na política. Ele então se filiou ao PSL, partido do candidato Jair Bolsonaro, que lidera as intenções de voto no primeiro turno da eleição presidencial.

O modelo do gênero é o palhaço Tiririca, que, ao contrário do Capitão América de São Paulo, é uma conhecida figura da mídia, tendo participado de muitos programas de televisão.

Com o lema "pior não fica", ele surfou a onda do voto de protesto a ponto de ser eleito deputado com um recorde de 1,3 milhão de votos em 2010.

Reeleito em 2014, ele renunciou, para a surpresa geral, em dezembro passado, mas finalmente decidiu concorrer a um terceiro mandato com frases chocantes, como a profecia de que "o dólar cairá mais do que Neymar".

Uma referência à acentuada depreciação do real frente à moeda americana e às críticas do craque da Seleção por suas simulações em campo.

- Operação sedução -

"São muitos candidatos, o espaço para a propaganda política nas televisões e rádios não é grande. É complicado fazer campanha num estado inteiro, o custo de deslocamento é muito grande: fazer material de campanha imprimir é muito caro... Para se distinguir você acaba optando por outras formas de chegar no eleitor", explica Fernando Meireles, professor de ciência política na Universidade Federal de Minas Gerais.

Se alguns apostam nas redes sociais tradicionais como Facebook ou Twitter, Felipe Oriá prefere seduzir os eleitores no Tinder, o aplicativo de encontros.

O jovem de 27 anos se inscreveu em julho e não tardou a receber mais de 400 "matches" por dia.

"Primeiro coloquei uma foto minha, mas todas as outras eram propostas, e a gente dizia: ‘vem dar match com essas ideias, vem dar match com essas propostas’, a brincadeira era que as pessoas não dessem match comigo, mas dessem match com as ideias, com as propostas", afirmou este professor da Universidade de Pernambuco diplomado em Harvard.

Candidatos de todo o país pediram conselhos a ele, mas o Tinder acabou por fechar sua conta um mês depois, considerando que o candidato não a utilizava para os fins previstos.

"Enquanto não se fizer a reforma política que coloque critérios objetivos na distribuição de recursos do fundo partidário, de tempo de televisão, de outros elementos do partido... as taxas de renovação do Congresso vão continuar sendo baixíssimas", lamentou o jovem candidato, que obteve 150.000 reais graças a um financiamento coletivo na internet, montante considerado insuficiente.

"É Davi contra Golias", conclui Felipe Oriá, que, ao contrário dos outros, não tem superpoderes.

Este artigo foi automaticamente importado do nosso antigo site para o novo. Se há problemas com sua visualização, pedimos desculpas pelo inconveniente. Por favor, relate o problema ao seguinte endereço: community-feedback@swissinfo.ch

Partilhar este artigo

Participe da discussão

Com uma conta SWI, você pode contribuir com comentários em nosso site.

Faça o login ou registre-se aqui.