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(Arquivo) A pioneira da aviação Amelia Earhart

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O que aconteceu com a americana Amelia Earhart, pioneira da aviação mundial, em 1937? Há décadas, permanece sem solução este mistério que intriga pesquisadores e apaixonados pelo assunto e que já foi tema de uma série de filmes e livros.

Partindo de novas e polêmicas pistas, o documentário "Amelia Earhart: The Lost Evidence" ("Amelia Earhart: a prova perdida", em tradução livre), que vai ao ar neste domingo (9) no History Channel, tenta buscar uma resposta.

Segundo o documentário, a piloto americana teria, na verdade, sobrevivido à pane seca de seu avião, durante sua trágica tentativa de dar a volta ao mundo em 1937.

De cabelos curtos e adepta da calça comprida - peça ainda incomum no vestuário feminino da época, mas que se tornaria sua marca registrada -, Amelia Earhart foi a primeira mulher a atravessar o Atlântico de avião, em 1932.

Cinco anos depois, na Califórnia, ela decolava, aos 39 anos, acompanhada de seu navegador Fred Noonan, de 44, para se tornar também a primeira mulher a realizar essa façanha.

Segundo a teoria mais disseminada, em julho de 1937 seu bimotor Lockheed Electra teria sofrido uma pane seca sobre o Pacífico, desaparecendo nas águas próximas à isolada ilhota de Howland.

O filme que vai ao ar no próximo domingo nos Estados Unidos sugere, porém, que os dois aviadores não apenas sobreviveram como foram feitos prisioneiros pelos japoneses.

Os documentaristas baseiam sua teoria em uma foto em preto e branco, descoberta entre os documentos dos Arquivos Nacionais, em Washington.

Na imagem, vê-se várias pessoas sobre um cais no atol de Jaluit, nas ilhas Marshall. Entre elas, está uma mulher de costas para a câmera, de perfil semelhante ao de Amelia, de cabelos curtos e usando o que parece ser uma calça comprida - peça bastante usada pela aventureira.

Perto dela, há um homem sentado no cais, o qual teria grande semelhança com Noonan, segundo um especialista em expressões faciais entrevistado pelo documentário.

- Teoria 'risível' -

Atrás do cais, observa-se um navio rebocando uma aeronave. De acordo com os documentaristas, pode se tratar do navio japonês "Koshu Maru", rebocando o avião de Amelia Earhart. Essa foto teria a marcação típica dos documentos que passaram pelos Serviços de Inteligência da Marinha americana, aponta o History Channel em sua página History.com.

Há muito tempo, moradores das ilhas Marshall afirmam que os dois aviadores sobreviveram a um pouso de emergência antes de serem capturados pelos japoneses. Essa teoria foi retomada pelos documentaristas.

"Achamos que o 'Koshu' levou (Amelia Earhart) para Saipan (nas ilhas Mariana) e que ela morreu lá sob custódia dos japoneses", disse o produtor-executivo do documentário, Gary Tarpinian, ao canal NBC News.

"Não sabemos como ela morreu. Não sabemos quando", admitiu.

Essa teoria está longe da unanimidade entre especialistas na área.

"Há um ano sei da existência dessa foto", afirma Richard Gillespie, diretor-executivo de um grupo americano de fãs de História da Aviação - The International Group for Historic Aircraft Recovery (TIGHAR) - que tentam há anos elucidar o que aconteceu com Amelia e Fred.

"Estou chocado que alguém possa levar isso a sério", disse à AFP, acrescentando que, "como prova, é risível".

"É apenas uma foto de algumas pessoas no cais de Jaluit", continua.

"Onde estão os japoneses? Onde estão os soldados?", completou.

"Pode ser uma mulher branca na foto, e parece ser um homem branco. Mas, de repente, são Amelia Earhart e Fred Noonan? Sério, é absurdo", insiste.

À frente do "Projeto Earhart", o TIGHAR se inclina, principalmente, sobre a hipótese de que o avião fez um pouso forçado na desabitada ilha Gardner - hoje conhecida como Nikumaroro, pertencente à república de Kiribati. Ambos teriam morrido ali.

A aventura da dupla começou em 20 de maio de 1937, quando decolaram de Oakland, na Califórnia. Amelia e Fred desapareceram em 2 de julho, após deixar Lae, na Papua-Nova Guiné, para cobrir um trecho desafiador de cerca de 4.000 quilômetros. O objetivo era reabastecer a aeronave, na minúscula ilha de Howland, território americano praticamente a meio caminho entre a Austrália e o Havaí.

Nunca mais se teve notícia deles.

AFP