Conteúdo externo

O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.

O presidente da Assembleia Nacional Catalã (ANC), Jordi Sánchez (C), e o presidente da associação cultural catalã pró-independência, Jordi Cuixart (E), acenam ao chegar à alta corte de Madri

(afp_tickers)

Dois influentes líderes separatistas foram enviados para a prisão provisória pelo crime de sedição nesta segunda-feira (16), o que ameaça intensificar a crise entre os separatistas da Catalunha e o governo central, após um novo dia de impasse.

Depois de uma troca de cartas entre o presidente catalão, Carles Puigdemont, e o chefe de governo espanhol, Mariano Rajoy, que evidenciou o entrave da pior crise política em 40 anos de democracia na Espanha, o dia terminou com notícias dos tribunais, onde também se trava uma batalha.

Uma juíza da Audiência Nacional, corte especializada nos casos mais complexos, decretou prisão preventiva para os líderes de duas importantes associações separatistas catalãs, Jordi Sánchez e Jordi Cuixart, pelo crime de sedição, ligado a fatos ocorridos em 20 de setembro, em Barcelona.

Os autos os apontam como os "principais promotores e diretores" de uma concentração multitudinária ante um edifício do governo catalão onde a Polícia espanhola fazia revistas para impedir o referendo de autodeterminação na Catalunha de 1º de outubro.

Os manifestantes danificaram vários veículos policiais e dificultaram por horas a saída dos agentes.

Sánchez, presidente da Assembleia Nacional da Catalunha (ANC), e Cuixart, da Òmnium Cultural, subiram em um veículo da Guarda Civil espanhola e convocaram a "mobilização permanente".

"Que ninguém vá para casa, será uma noite longa e intensa", clamou Sánchez, segundo os autos.

Enquanto os líderes eram enviados para a prisão provisória após depor na Audiência Nacional esta segunda-feira, outros dois acusados pelos fatos, o chefe da Polícia catalã, Josep Lluís Trapero, e uma subordinada foram postos em liberdade provisória.

A medida contra Sánchez e Cuixart motivou um panelaço de protesto por longos minutos por vários bairros de Barcelona e outros locais da Catalunha. Na praça Sant Jaume da capital catalã se concentraram umas 200 pessoas que gritavam "Independência", constatou uma jornalista da AFP.

- "A mobilização continua" -

Trapero, que ficou conhecido por sua atuação como chefe das investigações dos atentados jihadistas na Catalunha em agosto, é acusado de sedição por supostamente não ter feito o necessário para impedir o referendo de 1º de outubro, proibido pela Justiça, no qual se apoiam os separatistas em sua luta pela independência da Espanha.

O crime de sedição pode ser punido com até 10 anos de prisão no caso de cidadãos comuns e de 15 anos quando se trata de autoridades.

A medida contra Sánchez e Cuixart causou irritação nas autoridades catalãs, que a qualificaram de "provocação" do Estado espanhol, mesmo quando pediram calma.

"Infelizmente, temos prisioneiros políticos de novo", escreveu no Twitter o presidente catalão.

"O Estado espanhol está brincando de provocar, mas não podemos cair nessa", disse, por sua vez, o porta-voz do governo catalão, Jordi Turull, enquanto a presidente do Parlamento regional, Carme Forcadell, qualificou os fatos de uma "barbaridade".

Tanto a ANC quanto a Òmnium anunciaram várias mobilizações: uma "paralisação de protesto" para a terça-feira às 12h00 locais (08h00 de Brasília) e concentrações silenciosas às 19h00 (1500 de Brasília) em frente a delegações do governo central em Barcelona e outras cidades.

"A mobilização continua, não poderão prender todo um povo", escreveu a Òminum no Twitter.

- Prazo de 72 horas -

Após o referendo de 1º de outubro, com 43% de participação e 90% de votos no sim, Puigdemont fez um aceno de declaração de independência, ao afirmar que assumia o mandato egresso da consulta, mas disse que sua proclamação ficaria em suspenso para permitir um diálogo com o governo central.

Mariano Rajoy respondeu com um requerimento para que esclarecesse formalmente se tinha declarado a independência e lhe deu prazo até a segunda-feira.

Este é o primeiro passo para aplicar o Artigo 155 da Constituição, que permite ao governo central suspender a autonomia de uma região que desobedece à lei.

Mas Puigdemont fez alusão ao responder nesta segunda-feira em sua carta e ofereceu dois meses para dialogar.

Em resposta, Rajoy insistiu em que Puigdemont dispõe apenas de três dias até a quinta-feira às 10H00 locais (06h00 de Brasília) para voltar atrás.

"Espero que nas horas que lhe restam até o segundo prazo (...), responda com toda a clareza que todos os cidadãos exigem e o direito requer", escreveu o chefe de governo espanhol.

A pressão sobre Puigdemont também vem do mundo econômico: diante da incerteza política, entre 2 e 11 de outubro, 540 empresas fizeram gestões para tirar seus domicílios sociais da Catalunha.

A última a fazê-lo, nesta segunda-feira, foi a Codorníu Raventós, uma empresa que desde o século XVI produz vinho na Catalunha e é famosa por sua cava, um vinho espumante que concorre com o champanhe francês.

avl/al/du/mck/jvb/mvv

Dois influentes líderes separatistas foram enviados para a prisão provisória pelo crime de sedição nesta segunda-feira (16), o que ameaça intensificar a crise entre os separatistas da Catalunha e o governo central, após um novo dia de impasse.

Depois de uma troca de cartas entre o presidente catalão, Carles Puigdemont, e o chefe de governo espanhol, Mariano Rajoy, que evidenciou o entrave da pior crise política em 40 anos de democracia na Espanha, o dia terminou com notícias dos tribunais, onde também se trava uma batalha.

Uma juíza da Audiência Nacional, corte especializada nos casos mais complexos, decretou prisão preventiva para os líderes de duas importantes associações separatistas catalãs, Jordi Sánchez e Jordi Cuixart, pelo crime de sedição, ligado a fatos ocorridos em 20 de setembro, em Barcelona.

Os autos os apontam como os "principais promotores e diretores" de uma concentração multitudinária ante um edifício do governo catalão onde a Polícia espanhola fazia revistas para impedir o referendo de autodeterminação na Catalunha de 1º de outubro.

Os manifestantes danificaram vários veículos policiais e dificultaram por horas a saída dos agentes.

Sánchez, presidente da Assembleia Nacional da Catalunha (ANC), e Cuixart, da Òmnium Cultural, subiram em um veículo da Guarda Civil espanhola e convocaram a "mobilização permanente".

"Que ninguém vá para casa, será uma noite longa e intensa", clamou Sánchez, segundo os autos.

Enquanto os líderes eram enviados para a prisão provisória após depor na Audiência Nacional esta segunda-feira, outros dois acusados pelos fatos, o chefe da Polícia catalã, Josep Lluís Trapero, e uma subordinada foram postos em liberdade provisória.

A medida contra Sánchez e Cuixart motivou um panelaço de protesto por longos minutos por vários bairros de Barcelona e outros locais da Catalunha. Na praça Sant Jaume da capital catalã se concentraram umas 200 pessoas que gritavam "Independência", constatou uma jornalista da AFP.

- "A mobilização continua" -

Trapero, que ficou conhecido por sua atuação como chefe das investigações dos atentados jihadistas na Catalunha em agosto, é acusado de sedição por supostamente não ter feito o necessário para impedir o referendo de 1º de outubro, proibido pela Justiça, no qual se apoiam os separatistas em sua luta pela independência da Espanha.

O crime de sedição pode ser punido com até 10 anos de prisão no caso de cidadãos comuns e de 15 anos quando se trata de autoridades.

A medida contra Sánchez e Cuixart causou irritação nas autoridades catalãs, que a qualificaram de "provocação" do Estado espanhol, mesmo quando pediram calma.

"Infelizmente, temos prisioneiros políticos de novo", escreveu no Twitter o presidente catalão.

"O Estado espanhol está brincando de provocar, mas não podemos cair nessa", disse, por sua vez, o porta-voz do governo catalão, Jordi Turull, enquanto a presidente do Parlamento regional, Carme Forcadell, qualificou os fatos de uma "barbaridade".

Tanto a ANC quanto a Òmnium anunciaram várias mobilizações: uma "paralisação de protesto" para a terça-feira às 12h00 locais (08h00 de Brasília) e concentrações silenciosas às 19h00 (1500 de Brasília) em frente a delegações do governo central em Barcelona e outras cidades.

"A mobilização continua, não poderão prender todo um povo", escreveu a Òminum no Twitter.

- Prazo de 72 horas -

Após o referendo de 1º de outubro, com 43% de participação e 90% de votos no sim, Puigdemont fez um aceno de declaração de independência, ao afirmar que assumia o mandato egresso da consulta, mas disse que sua proclamação ficaria em suspenso para permitir um diálogo com o governo central.

Mariano Rajoy respondeu com um requerimento para que esclarecesse formalmente se tinha declarado a independência e lhe deu prazo até a segunda-feira.

Este é o primeiro passo para aplicar o Artigo 155 da Constituição, que permite ao governo central suspender a autonomia de uma região que desobedece à lei.

Mas Puigdemont fez alusão ao responder nesta segunda-feira em sua carta e ofereceu dois meses para dialogar.

Em resposta, Rajoy insistiu em que Puigdemont dispõe apenas de três dias até a quinta-feira às 10H00 locais (06h00 de Brasília) para voltar atrás.

"Espero que nas horas que lhe restam até o segundo prazo (...), responda com toda a clareza que todos os cidadãos exigem e o direito requer", escreveu o chefe de governo espanhol.

A pressão sobre Puigdemont também vem do mundo econômico: diante da incerteza política, entre 2 e 11 de outubro, 540 empresas fizeram gestões para tirar seus domicílios sociais da Catalunha.

A última a fazê-lo, nesta segunda-feira, foi a Codorníu Raventós, uma empresa que desde o século XVI produz vinho na Catalunha e é famosa por sua cava, um vinho espumante que concorre com o champanhe francês.

Enquanto isso, o governo espanhol reduziu em três décimos sua previsão de crescimento do PIB para 2018, a 2,3%, devido principalmente à "incerteza" pela Catalunha em um plano orçamentário enviado a Bruxelas.

Neuer Inhalt

Horizontal Line


subscription form

formulário para solicitar a newsletter

Assine a newsletter da swissinfo.ch e receba diretamente os nossos melhores artigos.

swissinfo.ch

Banner da página Facebook da swissinfo.ch em português

AFP