AFP

Marines das Filipinas a bordo de seus veículos em rua de Marawi, em 28 de maio de 2017

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Cerca de 2.000 civis se encontravam bloqueados neste domingo por conta dos violentos confrontos entre o exército e os combatentes islamitas em uma cidade do sul das Filipinas, que em seis dias deixaram quase 100 mortos, muitos deles civis.

As forças de segurança filipinas intensificaram seus bombardeios sobre alguns bairros de Marawi, cidade do noroeste da ilha meridional de Mindanao, acusando os combatentes que se declaram afins ao grupo extremista Estado Islâmico (EI) de cometer atos violentos contra os civis.

Estes combates levaram na terça-feira o presidente filipino, Rodrigo Duterte, a decretar a lei marcial em Mindanao, segunda maior ilha do arquipélago.

A imensa maioria dos 200.000 habitantes de Marawi fugiu da cidade, mas 2.000 civis continuam impedidos de se deslocar das zonas controladas pelos rebeldes, declarou Zia Alonto Adiong, porta-voz das autoridades regionais.

"Nos enviaram mensagens de texto, nos ligaram pedindo que enviássemos equipes de resgate, mas simplesmente não podemos ir às zonas que não temos acesso", disse à AFP.

"Querem sair, temem por sua segurança. Alguns não têm comida. Têm medo de levar um tiro ou dos bombardeios", acrescenta.

No sábado, no início do mês sagrado muçulmano do Ramadã, as autoridades anunciaram a intensificação dos bombardeios.

"Queremos evitar danos colaterais, mas estes rebeldes nos obrigam a agir ao se entrincheirarem nas casas particulares, nos edifícios públicos e em outras instalações", declarou o porta-voz do exército, Restituto Padilla.

- "Terroristas" -

"Seu rechaço a se renderem faz com que toda a cidade fique presa. Portanto, cada vez mais é necessário recorrer aos ataques aéreos cirúrgicos para limpar a cidade e dar um fim o quanto antes a essa rebelião", explicou.

As autoridades declararam que os combatentes islamitas mataram 19 civis em Marawi, incluindo três mulheres e uma criança, que foram encontrados no sábado em uma universidade.

"São civis, mulheres. Esses terroristas estão contra o povo", declarou à AFP o coronel Jo-ar Herrera, porta-voz regional do exército.

Um fotógrafo da AFP disse no domingo ter visto oito corpos em uma estrada no subúrbio de Marawi. Os moradores os identificaram como funcionários de um rizicultor e de uma escola de Medicina.

Herrera afirmou que o exército investigava estas mortes. Não se sabe se estas oito vítimas foram contabilizadas no balanço de civis mortos.

Além dos 19 civis, 15 militares, dois policiais e 61 ativistas islamitas morreram nos confrontos, durante os quais o exército bombardeou zonas residenciais onde acreditava ter combatentes entrincheirados.

O balanço total oficial fala em, pelo menos, 97 mortos.

Os combates de Marawi tiveram início depois de um ataque das forças de segurança contra o suposto esconderijo de Isnilon Hapilon, considerado o chefe do EI nas Filipinas.

Os Estados Unidos consideram Hapilon como um dos terroristas mais perigosos do mundo e oferecem cinco milhões de dólares por seu cadáver. Também é um dos dirigentes de Abu Sayyaf, grupo islamita especializado em sequestros.

Mas as forças de segurança sofreram um enorme revés. Dezenas de combatentes compareceram com o objetivo de pará-las, antes de semear o caos balançando bandeiras pretas do EI.

Pegaram como reféns um padre e 14 pessoas em uma igreja e incendiaram o local. Não se sabe o destino destes reféns.

Duterte e os chefes do exército afirmaram que a maioria dos combatentes islamitas pertencem ao grupo Maute, que se declarou afim ao EI. Mas o presidente também acusou os criminosos locais de apoiar o grupo Maute em Marawi.

No sábado, disse estar disposto a manter a lei marcial quanto tempo seja necessário, sem levar em consideração os que os garantidores do direitos pensam.

"Esta lei marcial continuará até que a polícia e as Forças Armadas digam que os filipinos estão em segurança", declarou aos militares. "A Suprema Corte e o Congresso não estão presentes lá", afirmou.

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