A dupla siciliana Dolce & Gabbana, muito aguardada depois do escândalo provocado por vídeos considerados racistas na China, e Versace, que acaba de passar para o controle de Michael Kors, foram as duas estrelas do segundo dia da Semana de Moda de Milão.

Dolce & Gabbana apresentou neste sábado (12), em Milão, um desfile sob a marca da elegância italiana, mas sem abrir mão de seu DNA, de brilhos, laminados e estampas barrocas.

Ao som de gazz, com grandes cortinas vermelhas e luminárias de cristal, Domenico Dolce e Stefano Gabbana escolheram um ambiente de cabaré dos anos 1930 para apresentar sua nova coleção masculina outono-inverno 2019-2020.

O convite marcou o tom do desfile, onde se lia a palavra "Eleganza" (elegância em italiano).

Para lembrar a importante tradição do artesanato da península, foi reconstruído no fundo um ateliê de costura, no qual havia costureiros tomando medidas, cortando e costurando, enquanto os modelos desfilavam na passarela.

Afastando-se da tradição, a dupla de estilistas evitou astros ou filhos de celebridades para apresentar sua coleção.

No guarda-roupas "chique e sóbrio" da D&G no próximo inverno, veremos casacos ajustados e 'smokings' pretos, conjunto branco com gravata borboleta, calãs de pregas com estampa príncipe de gales.

Mas a casa não abriu mão de seu DNA, com jaquetas ou casacos quimono, conjuntos de veludo (em roxo, marrom e laranja) e suéteres ou casacos com brilhos.

O homem D&G viste ternos laminados, em dourado e preto, ou em azul profundo e prata, acompanhados de sapatos de veludo ou pedras brilhantes, e tecidos com estampas barrocas, religiosas ou de rosas.

- Boicote chinês -

"Gostaríamos de lançar uma mensagem às novas gerações sobre o valor da elegância. Quando se diz esta palavra, pensa-se em algo velho e, na verdade, é atemporal", declarou Stefano Gabbana à imprensa italiana.

"Esta coleção é o oposto das últimas temporadas, viramos a página", acrescentou, sem comentar o ocorrido na China.

A empresa passou por um período turbulento depois de uma polêmica suscitada no país por um vídeo e comentários considerados racistas, divulgados pela D&G, e sobretudo Stefano Gabbana, em novembro.

Os principais sites chineses de comércio on-line decidiram boicotar a marca, um duro golpe para a casa italiana, que tem na China um terço de seu faturamento.

Diante do escândalo, Stefano Gabbana e Domenico Dolce fizeram circular na rede social chinesa Weibo um vídeo em que pedem desculpas e declaram seu amor ao país asiático.

Os sites na Internet Taobao e JD.com, muito populares, continuavam sem vender neste sábado os produtos da dupla siciliana.

No desfile em Milão foi possível ver, ao contrário, alguns chineses na plateia.

- Cores berrantes na Versace -

O outro grande momento deste segundo dia da Semana da Moda 'masculina' de Milão foi o desfile multicolorido e excêntrico da casa Versace que, seguindo uma tendência já implantada, optou por um evento "co-ed" (misto).

Em seu primeiro desfile na Itália desde setembro, quando ficou sob o controle do americano Michael Kors, a companhia recorreu às famosas modelos Kaia Gerber, Bella Hadid e Emily Ratajkowski.

A mulher Versace é deliberadamente sexy, sai de camisola de renda e saltos altos.

O homem, por sua vez, não tem medo de usar longos casacos com estampa de leopardo e o cabelo tingido de acordo. Ostenta cores berrantes, casacos cor-de-rosa, ternos de listras amarelas e pretas ou estampas inverossímeis.

Pela manhã, a marca 1992 desfilou nos salões do hotel cinco estrelas Principe di Savoia, lugar onde foram celebrados os primeiros desfiles de moda em Milão.

O DJ e estilista Dorian Stefano Tarantini, que veste, entre outros, Rihanna, criou uma coleção inspirada em Londres, com uma jaqueta com a bandeira do Reino Unido e vestidos com forte inspiração "Swinging London".

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