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O pai de Maria Eduarda Alves da Conceição junto com membros da família durante o velório da jovem em Mesquita, no Rio de Janeiro, em 1º de abril de 2017

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Familiares e amigos de uma jovem de 13 anos morta por balas perdidas durante uma operação policial expressaram sua dor e indignação, e exigiram justiça neste sábado durante o seu velório.

Maria Eduarda Alves da Conceição, morta na quinta-feira enquanto estava numa aula de Educação Física em sua escola, no bairro de Fazenda Botafogo, jazia sob um véu branco em um pequeno caixão na capela do Cemitério Parque Jardim de Mesquita.

Ao redor dela, pais, irmãos e amigos do colégio se consolavam uns aos outros, em um ambiente de imensa dor.

"Por favor, volta, Maria!", repetia uma amiga da escola, até ser retirada da capela, porque não conseguia se manter em pé.

O Rio de Janeiro, uma das cidades mais violentas do Brasil - onde são cometidos 60.000 assassinatos por ano -, vive constantemente derramamentos de sangue como este. Mas a tragédia de quinta-feira coloca em evidência os níveis de violência próprios de uma guerra a qual estão submetidas pessoas comuns que, muitas vezes, se encontram no meio do fogo cruzado.

A Polícia afirma que estava perseguindo suspeitos armados com fuzis e que os agentes mantiveram uma troca de tiros com eles. Após o confronto, dois policiais, filmados por uma testemunha, dispararam e mataram dois homens que já estavam caídos no chão e desarmados.

O episódio ocorreu nos arredores da escola onde Maria Eduarda estava em sua aula de Educação Física. A menina foi atingida pelos disparos - pelo menos quatro, segundo os últimos relatos da imprensa - enquanto outros jovens se jogavam no chão para se proteger. Maria morreu antes da chegada da ambulância.

Inicialmente, a Polícia descreveu o caso como um acidente infeliz, e um porta-voz falou que esta era uma ação "necessária". Logo depois que foram divulgadas as imagens da execução dos homens, as autoridades prenderam os dois policiais envolvidos.

Parentes da menina pedem que ela não se torne mais uma estatística.

Segundo Antônio Carlos Costa, que dirige a ONG Rio Pela Paz, 33 crianças morreram desde 2007 vítimas de balas perdidas durante operações policiais, 20 delas desde 2015.

"Uma escola pública da cidade está cheia de crianças", disse, criticando severamente a decisão policial de disparar contra suspeitos armados. "A prisão de criminosos não compensa a vida de uma de nossas crianças".

Em um comunicado lido pelo irmão de Maria Eduarda, Uidson Alves Ferreira, de 32 anos, a família disse: "Nossa Maria Eduarda estava dentro de uma escola buscando um futuro melhor. Este é o futuro melhor para nossas crianças? Serem mortas covardemente, enquanto estudam?".

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