Conteúdo externo

O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.

Vista da construção da arena de vôlei de praia em Copacabana para os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, no dia 13 de junho de 2016

(afp_tickers)

Mergulhado em uma grave crise financeira, o governador do estado do Rio de Janeiro, Francisco Dornelles, decretou, nesta sexta-feira (17), "estado de calamidade pública" para poder financiar os Jogos Olímpicos, que acontecem em menos de dois meses na cidade do Rio.

Publicado hoje no Diário Oficial, o decreto habilita as autoridades a "adotar as medidas excepcionais necessárias à racionalização de todos os serviços públicos essenciais, com vistas à realização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016".

A grave crise financeira do estado "impede o cumprimento das obrigações assumidas em razão da realização dos Jogos", destaca o decreto firmado por Dornelles.

O governador interino advertiu que a crise financeira, agravada pelas despesas com os Jogos, já dificulta a prestação de serviços essenciais e "pode acarretar o total colapso da segurança pública, da saúde, da educação, do transporte e da gestão ambiental".

Dornelles qualificou recentemente a situação de "trágica". "Nunca vi nada igual no Brasil e no estado. Agora precisamos agir em conjunto com o governo federal" para examinar o que é possível privatizar, que imóveis podemos vender.

Os professores estão em greve desde o dia 2 de março e a maioria receberá os salários de maio em parcelas, assim como outras categorias do funcionalismo público e aposentados.

Hospitais estão rejeitando pacientes por falta de recursos e os estudantes ocupam escolas para protestar contra os cortes nas verbas para a educação.

O governo já eliminou cinco secretarias e anulou programas sociais.

A previsão do déficit do estado do Rio de Janeiro para este ano é de 19 bilhões de reais, devido à queda na arrecadação provocada pela profunda recessão no país.

Dornelles pediu ajuda ao governo federal para poder financiar obras de infraestrutura ligadas às Olimpíadas, como a linha 4 do metrô, que unirá Ipanema à Barra da Tijuca, principal bairro dos Jogos.

"A situação do Rio é dramática. Existe uma insuficiência próxima dos 20 bilhões de reais (...) e o governo terá que escolher quem recebe ou não", disse o economista Raúl Velloso, especialista em contas públicas.

AFP