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Mulher é vacinada contra o vírus do ebola em um centro de vacinação em Conakri, Guiné, no dia 10 de março de 2015

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Duas vacinas experimentais contra o vírus Ebola se mostraram promissoras para proteger contra a febre hemorrágica durante pelo menos um ano, revela um grande ensaio clínico publicado nesta quarta-feira.

O estudo publicado na revista médica New England Journal of Medicine é o primeiro relatório completo de um esforço em larga escala para testar o que poderia ser a primeira vacina contra o Ebola.

O surto desse vírus altamente contagioso causou a morte de mais de 11.000 pessoas, principalmente na Libéria, Guiné e Serra Leoa, enquanto se propagava pelo Oeste da África do final de 2013 até 2016.

O estudo de fase II envolveu 1.500 pessoas em Monróvia, na Libéria. Os participantes foram aleatoriamente designados para receber uma das duas vacinas que estão sendo testadas ou um placebo.

O teste envolveu a favorita rVSV-ZEBOV, inicialmente desenvolvida por cientistas do governo canadense e agora licenciada para a Merck, a Sharp e a Dohme Corporation, e a cAd3-EBOZ, criada pelo Centro de Pesquisa de Vacinas do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas americano (NIAID) e pela GlaxoSmithKline.

Após um mês, 84% dos que receberam a rVSV-ZEBOV desenvolveram uma resposta de anticorpos. Um ano depois, 80% ainda tinham essa proteção.

Quanto a outra candidata, cAd3-EBOZ, 71% desenvolveram uma resposta de anticorpos e 64% mantinham essa resposta um ano depois, quando o ensaio foi concluído.

"Este ensaio clínico produziu informações valiosas que são essenciais para o desenvolvimento contínuo desses dois candidatos à vacina do Ebola e também demonstra que é possível conduzir uma pesquisa clínica bem projetada e eticamente válida durante uma epidemia", disse Anthony Fauci, diretor do NIAID.

"Uma vacina segura e efetiva seria um complemento importante às medidas clássicas de saúde pública para controlar os inevitáveis futuros surtos de Ebola".

Algumas pessoas que receberam as vacinas experimentaram "efeitos colaterais leves a moderados que foram resolvidos, como dor de cabeça, dor muscular, febre e fadiga", destaca o estudo.

"No geral, os investigadores não identificaram nenhuma grande preocupação de segurança relacionada às vacinas", acrescentou.

O ensaio foi conduzido como parte de uma colaboração de pesquisa clínica entre os Estados Unidos e a Libéria conhecida como Parceria para Pesquisa sobre o Vírus Ebola na Libéria (PREVAIL).

Este primeiro estudo, chamado PREVAIL 1, foi lançado em fevereiro de 2015 e originalmente projetado para admitir 28.000 voluntários, mas teve que ser reduzido para um ensaio de fase II menor à medida que o surto diminuiu.

Um total de 15 candidatas a vacinas estão sendo desenvolvidos em todo o mundo para prevenir o Ebola. Os especialistas dizem que as primeiras vacinas poderiam ser aprovadas para uso até 2018, sob um processo regulatório acelerado.

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AFP