AFP

O candidato centrista à presidência da França, Emmanuel Macron, caminha do lado de fora da Catedral de Amiens, em 26 de abril de 2017

(afp_tickers)

A batalha pela presidência da França entrou em ritmo acelerado nesta quarta-feira com um duelo inesperado entre Marine Le Pen e o rival centrista Emmanuel Macron em uma região que é considerada reduto da candidata de extrema direita.

No momento em que o candidato de centro e pró-UE se reunia com representantes sindicais da fábrica Whirlpool em Amiens (noreste), ameaçada de ser transferida para a Polônia, Le Pen fez uma visita surpresa aos grevistas que protestavam na porta da empresa.

"Estou aqui com os trabalhadores", afirmou Le Pen, que se aproximou da multidão e posou para selfies.

"Evidentemente é uma mensagem para os funcionários e para o senhor Macron", completou.

Depois de apresentar-se como defensora dos "operários e dos trabalhadores", a política antieuro e anti-imigração afirmou que é a candidata "dos franceses que não querem perder seus empregos".

Emmanuel Macron, ex-executivo do setor bancário de 39 anos, respondeu de maneira imediata e anunciou que também se reuniria com funcionários da Whirpool, ao mesmo tempo em que denunciou "o uso político" do conflito social na fábrica por parte de Le Pen.

"O projeto de Le Pen destruiria o poder aquisitivo", denunciou.

A candidata de extrema direita deseja abandonar o euro e promete organizar um referendo sobre a permanência na União Europeia.

As regiões norte e nordeste da França, afetadas pelo desemprego, votaram em peso na candidata da Frente Nacional, de 48 anos.

Le Pen, que ficou atrás de Macron no primeiro turno ao receber 21,3% dos votos, contra 24% para o centrista, decidiu intensificar as mensagens para tentar conquistar os votos dos eleitores do conservador François Fillon e do candidato da esquerda radical Jean-Luc Mélenchon, terceiro e quarto colocados na votação de domingo.

A aspirante da extrema direita, que de acordo com todas as pesquisas será derrotada no segundo turno presidencial, precisa encontrar argumentos para atrair eleitores normalmente afastados de seu discurso político.

"Quero reunir todos os patriotas, de direita e de esquerda, não me importa como votaram no primeiro turno", afirmou na terça-feira à noite em uma entrevista ao canal TF1.

Para concretizar o sonho no dia 7 de maio, Marine Le Pen precisa ao menos dobrar o número de votos que recebeu no primeiro turno (7,69 milhões), caso o índice de participação permaneça o mesmo.

- Mobilização -

O atual presidente, o socialista François Hollande, que pediu voto para Macron, com o objetivo de impedir o avanço da extrema direita na França, prossegue com as advertências.

Nesta quarta-feira, ele pediu a todos os ministros que entrem na campanha para fazer com que a candidata da ultradireita "obtenha o menor resultado possível" no segundo turno, informou um membro do gabinete.

"É essencial que estejamos completamente mobilizados nesta campanha", disse Hollande, de acordo com a fonte, antes de afirmar: "Mais que nunca devemos rejeitar a banalização da Frente Nacional".

Macron, que pode se tornar o presidente mais jovem da história da França, recebeu o apoio dos principais candidatos à presidência, e inclusive do presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, que o felicitou pelo resultado no primeiro turno.

O líder da esquerda radical, Jean-Luc Mélenchon, que ficou em quarto lugar no primeiro turno com 19,58% dos votos, foi o único dos principais aspirantes à presidência que não se pronunciou contra a extrema direita.

Membros do Partido Socialista fizeram um apelo para que o candidato do partido "França Insubmissa" entre na campanha.

"Quando você é de esquerda, não tergiversa. Entramos imediatamente no combate contra a Frente Nacional", declarou o presidente do PS, Jean-Christophe Cambadélis.

AFP

 AFP