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Um soldado liberiano observa policiais que garantem a quarentena para conter o avanço do vírus Ebola, em Monróvia.

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A violência explodiu em uma área colocada em quarentena em Monróvia, capital da Libéria, enquanto autoridades lutavam para conter a epidemia de Ebola e novos casos suspeitos na Ásia despertavam o temor de que o vírus se dissemine para além da África.

Quatro moradores ficaram feridos em West Point, subúrbio de Monróvia, quando soldados dispararam bombas de gás lacrimogênio na população, quando os militares tentavam retirar uma autoridade do governo e seus familiares que estavam na zona da quarentena.

O cerco à Libéria ocorre no momento em que as autoridades de todo o mundo lutam para conter a pior epidemia do Ebola, quando cifras oficiais indicaram 106 novos óbitos em apenas dois dias, aumentando o total de vítimas da doença para 1.350.

A Libéria, com 576 mortes e 972 casos diagnosticados, é o país mais afetado das quatro nações do oeste da África atingidas pela epidemia e os números de mortes e infecções aumentam dramaticamente.

Noventa e cinco pessoas morreram no país em uma disparada no número de vítimas no fim de semana, informou nesta quarta-feira a Organização Mundial da Saúde, enquanto nove morreram em Serra Leoa e dois na Guiné, onde a epidemia começou.

A presidente da Libéria, Ellen Johnson Sirleaf, decretou quarentena em West Point e Dolo Town, ao leste da capital, e impôs um toque de recolher noturno como parte de medidas drásticas para conter a doença.

Moradores de West Point, onde os jovens armados com cassetetes invadiram um centro para o tratamento de doentes com Ebola este sábado, reagiram com raiva às medidas, atirando pedras nas forças de segurança.

"É desumano", disse ao telefone à AFP o morador Patrick Wesseh.

"Eles não podem, repentinamente, nos trancar sem aviso. Como nossas crianças vão comer?", continuou.

Na quarta-feira, autoridades da Ásia disseram ter detido várias pessoas procedentes do oeste da África, devido à suspeita de contágio por Ebola.

Dois nigerianos que viajaram da Nigéria para o Vietnã eram submetidos a exames em um hospital da Cidade Ho Chi Minh, informaram autoridades sanitárias.

Em Mianmar, um morador também era submetido a exames depois de chegar da Guiné. Os casos se somam às notícias, esta terça-feira, de que pacientes também eram examinados nos Estados Unidos e na Espanha.

Um jovem nigeriano que passou mal em um voo da Air France entre Paris e o Laos foi recebido por uma equipe médica no aeroporto Charles De Gaulle nesta quarta-feira, mas autoridades afirmaram que tinha sido um alarme falso.

- Serviços de saúde 'sobrecarregados' -

Após seu surgimento na Guiné, a epidemia se espalhou para Libéria, Serra Leoa e Nigéria, sobrecarregando os já precários serviços públicos de saúde que já lutam contra doenças que costumam ser fatais, como a malária.

Para piorar a situação, alguns altos oficiais que lideravam a luta contra a doença morreram vítimas do Ebola.

Um médico que tratou do primeiro paciente com Ebola da Nigéria morreu na terça-feira, aumentando o número de mortos no país mais populoso da África para cinco.

O ministro nigeriano da Saúde, Onyebuchi Chukwu, disse que o médico "era o mais experiente para cuidar do paciente" (com Ebola, Patrick Sawyer, um liberiano-americano de 40 anos, falecido em julho.

Na noite desta quarta-feira, era esperada a chegada no oeste da África da nova autoridade da ONU encarregada do combate ao Ebola, David Navarro, e a expectativa era de que ele ajudasse a reforçar os serviços de saúde nos quatro países afetados.

O médico britânico disse que vai se concentrar em "revitalizar os setores de saúde" nos países afetados, muitos dos quais só saíram de anos de conflitos violentos recentemente.

Os esforços para conter a epidemia também se viram confrontados com a descrença local em relação a médicos estrangeiros e com os boatos de que voluntários estivessem com a infecção.

A presidente liberiana alertou que os rituais funerários locais estavam entre os fatores que têm contribuído para a disseminação da doença.

"Temos sido incapazes de combater a disseminação devido à negação continuada, a práticas de sepultamento culturais, ao desrespeito aos alertas dos trabalhadores de saúde e do governo", disse Sirleaf.

- 'Sinais encorajadores' -

A porta-voz da OMS, Fadela Chaib, chamou atenção para os "sinais encorajadores" na Nigéria e na Guiné, onde as medidas de prevenção e o trabalho para traçar as linhas das infecções começavam a fazer efeito.

Em Serra Leoa, as origens da epidemia também foram rastreadas e chegaram a uma pessoa: uma curadeira na remota cidade fronteiriça de Sokoma.

"Ela dizia ter poderes para curar o Ebola. Pessoas da Guiné cruzaram a fronteira com Serra Leoa para se tratar", contou à AFP Mohamed Vandi, alto oficial médico do distrito atingido de Kenema.

Não há cura ou vacina disponíveis para o Ebola, que é transmitido por contato próximo com fluidos corporais.

Em vista da extensão da crise, a OMS autorizou tratamentos pouco testados, incluindo o ZMapp e a vacina canadense VSV-EBOV, cujos efeitos colaterais nos humanos não são conhecidos.

Três médicos da Libéria que ingeriram o medicamento experimental americano ZMapp estão respondendo ao tratamento.

Países da África e em outros continentes permanecem em alerta, e a companhia aérea da Guiné Equatorial, Ceiba Intercontinental, foi a última a suspender os voos para toda a região.

AFP