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Uma faixa disposta em frente a um hospital de Serra Leoa alerta a população sobre o perigo da epidemia do vírus Ebola, na capital Freetown, em 13 de agosto de 2014.

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Guiné, Serra Leoa, Libéria e Nigéria se encontravam em estado de emergência sanitária nesta quinta-feira para tentar frear a propagação do vírus Ebola, em um momento em que a agência Moody's advertiu que o custo econômico da epidemia pode ser "importante".

Diante do avanço da febre hemorrágica, a Libéria, que recebeu doses de um soro experimental americano para tratar dois médicos, começou a fazer obras para ampliar o único centro de tratamento da capital.

"Temos de ampliar este local porque a cada dia chega mais gente", declarou à AFP Nathaniel Dovillie, que dirige esse centro.

Além do centro de Monróvia, a Libéria só tem outro centro em Foya, na província de Lofa, uma das três regiões do país postas em quarentena.

O vice-ministro liberiano da Saúde, Tolbert Nyensuah, confirmou à AFP que o país recebeu o soro experimental americano ZMapp.

Este soro, que teve resultados positivos em dois americanos contaminados no país, mas que não conseguiu salvar um padre espanhol morto na terça-feira após ser repatriado para Madri, será administrado unicamente em dois médicos liberianos.

Na última terça-feira, 12 de agosto, a Organização Mundial de Saúde (OMS) autorizou tratamentos experimentais desse tipo.

- 'Medo até dos nossos clientes' -

Um dos quatro países do oeste africano afetado pela epidemia de Ebola, a Guiné foi o último a decretar, na noite de quarta-feira, "urgência sanitária nacional" por causa dessa febre hemorrágica, que já matou mais de mil pessoas.

Em consequência desta urgência, implanta-se "um cordão sanitário, mantido pelos agentes de saúde e pelos serviços de segurança e de defesa em todos os pontos fronteiriços de acesso à Guiné", ficam restritos os movimentos de pessoas e se reforçam os controles sanitários em diferentes pontos de passagem.

Também se proíbe transportar cadáveres "de uma localidade para outra até o fim da epidemia" e se decreta a tomada de amostras e a hospitalização sistemática "em todos os casos suspeitos" até contar com os resultados dos exames.

Em Conacri, a vendedora de roupa usada Kadet Diawara considerou que o presidente guineano fez bem em decretar o estado de emergência sanitária. No entanto, "temo que seja tarde demais", acrescentou. "Agora temos medo até dos nossos clientes", admitiu.

O caminhoneiro Alfa Baldé também lamentou "a reação muito tardia do governo" guineano. "O mundo inteiro sofre agora dessa epidemia por culpa da Guiné", afirmou.

Segundo o último balanço da doença, divulgado na quarta-feira, 1.069 pessoas morreram e somam-se 1.975 casos (confirmados, suspeitos e prováveis), sobretudo em Guiné, Serra Leoa e Libéria, enquanto na Nigéria foram constatados por enquanto três mortos.

No âmbito econômico, segundo a agência classificadora de risco Moody's, "a epidemia pode ter um efeito financeiro direto nos orçamentos do governo, por meio de um aumento dos gastos de saúde que pode ser importante".

A Libéria, onde mais de 300 pessoas morreram, gastou US$ 12 milhões para combater o Ebola entre abril e junho, e a expectativa é de queda no crescimento econômico do país.

Segundo a Moody's, em Serra Leoa não será possível repetir "o índice de crescimento recorde de 16% em 2013".

AFP