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Edifício da Bolsa do Catar, em Doha, no dia 30 de julho de 2017

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As restrições impostas há mais de dois meses ao Catar por seus vizinhos começa a mostrar os efeitos negativos na economia do pequeno emirado produtor de gás do Golfo, que, entretanto, se mantém sólida e resiste, segundo os analistas.

Em 5 de junho, a Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Bahrein romperam com o Catar, acusando-o de "apoiar o terrorismo" e de se aproximar do Irã, grande rival regional de Riade. Linhas aéreas e marítimas foram fechadas, bem como sua única fronteira terrestre, e os deslocamentos reduziram drasticamente.

Depois que o embargo foi promulgado, seu aliado turco e seu vizinho iraniano fornecem produtos a Doha.

"Não sentimos muita diferença', garante Mohamed Ammar, empresário e conselheiro da Associação de empresários do Catar (QBA), ainda que não exclua efeitos a "médio ou longo prazo".

Para Rachid ben Ali Al Mansuri, presidente da Bolsa do Catar, o pior já passou. A segunda praça financeira do Oriente Médio perdeu mais de 7% em 5 de junho, antes de se recuperar e passar a flutuar desde então em torno de 6%, abaixo do seu nível anterior à crise.

Mas alguns dados inquietam os investidores e as agências de classificação financeira Fitch, Moody's e Standard and Poor's (SP), que colocaram o Catar sob vigilância negativa. A SP chegou a baixar a nota do país.

"A economia mostra suas debilidades", opinou no fim julho a agência Bloomberg, destacando que os depósitos estrangeiros nos bancos catarianos tinham caído em junho como nunca em dois anos.

A consequência foi uma queda brusca das reservas, de 30% em junho ante o mesmo mês de 2016, e que estão em seu menor nível desde maio de 2012.

"A incerteza conduz bancos e fundos de investimento a retirarem seu dinheiro do Catar, provocando uma redução das reservas", explicou à AFP Amy McAlistair, da Oxford Economics.

"O Banco Central precisou recorrer às suas reservas para manter a paridade do dólar com o rial" catariano, muito abalado desde o início da crise, afirma.

Ao antecipar que a crise afetará a atividade, a Oxford Economics reduziu de 3,4% a 1,4% sua previsão de crescimento para 2017 e elevou de 1,5% a 1,8% a da inflação, estimulada pela alta dos preços dos produtos importados, como alimentos.

A crise gera um impacto no volume de negócios e lucros da companhia nacional Qatar Airways, que precisou arcar com voos cancelados e alterações em trajetos. Além disso, a crise ameaça a posição de centro mundial de operações adquiridas pelo aeroporto internacional de Doha.

- Investimentos de US$ 200 milhões -

Mas os economistas destacam, mesmo assim, a solidez da economia.

"O Catar é o país que enfrenta melhor os golpes no Oriente Médio", e sua "economia e situação financeira são as mais estáveis", destaca Andreas Krieg, analista do King's College de Londres.

Esse país minúsculo (2,6 milhões de habitantes, dos quais 80% são estrangeiros) é o mais rico do mundo por habitante - em paridade de poder aquisitivo -, segundo o FMI. Ele é dono da terceira maior reserva de gás do planeta e primeiro exportador mundial de gás natural liquefeito (GNL).

Ainda que a crise corra o risco de encarecer a organização da Copa do Mundo de 2022, os 200 milhões de dólares em investimentos públicos em infraestrutura previstos vão sustentar o crescimento econômico do Catar nos próximos anos.

Além disso, o Catar dispõe de um "tesouro" de cerca de 330 milhões de dólares através das participações internacionais de seu fundo soberano, a Qatar Investment Autorithy (QIA).

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AFP