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Bandeiras espanhola e catalã são vistas na Generalitat, em Barcelona, em 30 de outubro de 2017

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O crescimento econômico espanhol manteve seu dinamismo no terceiro trimestre, mas o impacto econômico da crise na Catalunha, região que representa um quinto do PIB nacional, concentra as inquietações.

Entre julho e setembro, o PIB espanhol continuou seu crescimento em ritmo sustentado, com uma alta de 0,8% em relação ao trimestre anterior, segundo a primeira estimativa oficial divulgada nesta segunda-feira (30).

Contudo, a boa notícia teve repercussão limitada na Espanha, já que as cifras, de 30 de setembro, não refletem a incerteza política no país desde o referendo de autodeterminação inconstitucional de 1 de outubro na Catalunha, que deu origem a uma queda de braço entre o governo central e o secessionista da região.

A grande questão é qual será a magnitude do impacto sobre a economia da mais grave crise política da Espanha em décadas, que chegou ao seu auge na sexta-feira, com a proclamação da independência pelo Parlamento catalão, e a tomada de controle da região pelo Executivo central.

Apesar de o governo ter mantido sua previsão de crescimento para 2017, a 3,1% do PIB, já revisou para baixo suas perspectivas para 2018, a 2,3%, frente ao 2,6% esperado antes, em virtude da "incerteza" provocada pela situação na Catalunha.

Em outubro, a região "teve uma pausa do ponto de vista das decisões de investimento e de consumo, houve uma retração de créditos", declarou nesta segunda-feira o ministro de Economia, Luis de Guindos.

A Catalunha é, ao lado de Madri, um dos principais motores econômicos da Espanha, representa cerca de 19% do PIB espanhol e abriga por volta de 16% da população.

Sede de importantes indústrias exportadoras (agropecuária, química, automotiva), a região é também o principal destino turístico da Espanha. Cerca de 18 milhões de estrangeiros visitaram em 2016, seja para Barcelona ou as praias da Costa Brava.

Contudo, o turismo já sentiu o golpe: nas duas primeiras semanas de outubro, o setor viu sua cifra de negócios cair 15% interanual e as reservas até o fim ano perderem 20%, segundo a federação patronal Exceltur.

"É muito provável que a destruição de empregos no setor de hotelaria também tenha sido intensa", em um setor que já tem muitos contratos precários, avaliou em nota José Carlos Díez, economista próximo do Partido Socialista.

Em paralelo, "os comércios do centro de Barcelona constatam uma redução de suas vendas", garantiu um informe da Câmara de Comércio de Barcelona, que prevê consequências a meio prazo "no investimento, no consumo e no emprego".

- Duração da crise -

Outra grande fonte de inquietação é a decisão de mais de 1.800 empresas de transferir sua sede social para fora da Catalunha desde 1 de outubro, entre elas os bancos CaixaBank e Sabadell, a energética Gas Natural e o gestor de estradas Abertis.

Quais as consequências que essas decisões, a princípio puramente jurídicas, terão? Os dirigentes dos dois bancos garantiram que isso não implica movimentação de funcionários, mas que as medidas não são temporárias.

A principal patronal da Catalunha, Fomento do Trabalho, teme que algumas empresas empreendam "uma mudança gradual de bens e serviços produzidos na Catalunha para as novas sedes às quais sejam realocados".

"Às vezes, esse tipo de divisão leva algum tempo para produzir efeitos", mas a incerteza "com toda certeza destruirá os empregos na Catalunha a médio prazo", opinou Enrique Sánchez, presidente do grupo Adecco na Espanha, ao jornal econômico Expansión.

Segundo a agência de classificação SP Global, a região poderia até sofrer uma recessão.

O impacto sobre o resto da Espanha vai depender da duração da crise, segundo a maioria dos especialistas. Após tomar o controle da Catalunha, o governo espanhol convocou eleições regionais para 21 de dezembro.

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AFP