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Eduardo Bolsonaro defende volta do AI5 se 'esquerda radicalizar'

Deputado Eduardo Bolsonaro fala durante Conferência da Ação Política Conservadora (CPAC), em 11 de outubro de 2019 em São Paulo. afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 31. outubro 2019 - 20:06
(AFP)

O deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, gerou polêmica nesta quinta-feira ao citar a possibilidade da volta do AI5 (Ato Institucional N.5), adotado na época mais repressiva da ditadura militar, caso a "esquerda radicalize".

Eduardo, o deputado federal mais votado do Brasil, disse que no caso da onda de contestação contra os governos conservadores, como ocorre atualmente no Chile, chegue ao país, a "resposta" poderia ser a volta do AI-5, com o qual o regime militar fechou o Congresso e suspendeu as garantias constitucionais, em 1968.

Em entrevista a um canal do YouTube, Eduardo Bolsonaro acusou Cuba e Venezuela de estar por trás da onda de protestos na região e associou movimento às guerrilhas de esquerda dos anos 60.

"A gente, em algum momento, tem que encarar de frente isso daí. Vai chegar um momento em que a situação vai ser igual ao final dos anos 1960 no Brasil, quando sequestravam aeronaves, quando executavam, se sequestravam grandes autoridade como cônsules, embaixadores, execução de policiais, de militares".

"Se a esquerda radicalizar a esse ponto, vamos precisar dar uma resposta. E essa resposta pode ser via um novo AI-5, pode ser via uma legislação aprovada via plebiscito, como ocorreu na Itália. Alguma resposta vai ter que ser dada", declarou o deputado, de 35 anos.

As declarações provocaram uma onda de indignação entre autoridades e políticos no Brasil, incluindo do próprio presidente.

"A gente lamenta essa notícia, em parte distorcida, mas meu filho está pronto para se desculpar, tendo em vista ter sido mal interpretado", disse Jair Bolsonaro.

Diante da polêmica, Eduardo se retratou: "Eu peço desculpas a quem, por ventura, tenha entendido que eu estou estudando o retorno do AI-5 ou a quem achou que o governo estudava alguma medida nesse sentido".

"Essa possibilidade é uma interpretação deturpada do que eu falei. Eu apenas citei o AI-5, não falei que ele estaria retornando. Eu fico bem confortável e bem tranquilo para deixar isso daí claro. Não existe retorno do AI-5", disse Eduardo em entrevista ao programa Brasil Urgente, da TV Bandeirantes.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, declarou que "manifestações como a do senhor Eduardo Bolsonaro são repugnantes, do ponto de vista democrático, e têm de ser repelidas como toda a indignação possível pelas instituições brasileiras".

"A apologia reiterada a instrumentos da ditadura é passível de punição pelas ferramentas que detêm as instituições democráticas brasileiras. Ninguém está imune a isso. O Brasil jamais regressará aos anos de chumbo", advertiu Maia.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, disse que "é um absurdo ver um agente político, fruto do sistema democrático, fazer qualquer tipo de incitação antidemocrática". "E é inadmissível essa afronta à Constituição".

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