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O deputado Eduardo Cunha fala com a imprensa após renunciar à Presidência da Câmara, em Brasília, no dia 7 de julho de 2016

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O deputado Eduardo Cunha renunciou entre lágrimas nesta quinta-feira à presidência da Câmara dos Deputados, concluindo um polêmico mandato durante o qual autorizou o julgamento político da presidente Dilma Rousseff e depois de ter sido acusado de cobrar subornos bilionários.

"É público e notório que a Casa (Câmara dos Deputados) está acéfala, fruto de uma interinidade bizarra. Somente a minha renúncia poderá por fim à essa instabilidade sem prazo. A Câmara não suportará esperar indefinidamente", declarou o deputado à imprensa ao ler sua carta de renuncia com a voz embargada.

A Câmara já convocou eleições, no dia 14 de julho, para escolher seu novo presidente.

Arquiteto do impeachment e antagonista do PT de Dilma e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Cunha disse que ficou sem margem para continuar, já que se sente perseguido por ter aberto o processo de destituição contra Dilma.

Acusado de manipular os regulamentos da câmara a seu favor de ter recebido ao menos cinco milhões de dólares em subornos para facilitar negócios na Petrobras durante uma década, o deputado legislador evangélico ultraconservador que dominou a agenda política do país também bloqueou boa parte das iniciativas do PT.

"Sofri e sofro muitas perseguições em função das pautas (de votação na câmara). Estou pagando um alto preço por ter dado início ao impeachment. A principal causa de meu afastamento reside nesse processo de impeachment", declarou, por várias vezes sem conseguir controlar a emoção.

Cunha conduziu da mesa diretora da Câmara a votação que aprovou submeter a presidente Dilma ao processo de impeachment por ter autorizado despesas sem a aprovação do Congresso.

Durante uma maratônica saga que durou três dias em abril, Cunha foi insultado repetidamente e chamado de "gângster" por seus adversários políticos, mas sem se afetar, conseguiu orquestrar um amplo apoio na votação que praticamente selou o destino da presidente.

"A história fará justiça à coragem que teve a Câmara de Deputados sob minha condução, de abrir o processo de impeachment que terminou com o afastamento da presidente tirando o país do caos", assinalou, antes de se retirar sem responder a perguntas.

O Conselho de Ética da Câmara recomendou em junho sua destituição por ter mentido a uma comissão parlamentar sobre suas contas secretas na Suíça.

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AFP