Conteúdo externo

O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.

Bandeira LGBT gigante, na Cidade do México, no dia 24 de junho de 2017

(afp_tickers)

As autoridades e a imprensa egípcia fazem há alguns dias campanhas de injúria contra os homossexuais, acusados de "perversão", "depravação" e "libertinagem", em meio a uma intensa repressão policial.

As prisões de homossexuais se multiplicaram desde o escândalo ocasionado pela presença da bandeira nas cores do arco-íris, símbolo da comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bi e Transexuais), durante uma apresentação da banda libanesa Mashrou' Leila, no dia 22 de setembro, no Cairo.

Cerca de 31 pessoas foram detidas, sendo que 10 delas possuíam relação direta com o evento, e outras cinco continuam sendo buscadas pela polícia, segundo fontes judiciais.

A ONG egípcia Iniciativa Egípcia para os Direitos Pessoais (EIPR), considera que o número já é de 57 presos, entre os dias 19 de setembro e 2 de outubro. Oito delas foram condenadas a penas de um a seis anos de prisão.

Nesta segunda-feira (2), o chefe de Segurança do Estado ordenou a detenção dos jovens acusados de ter hasteado a bandeira LGBT durante o show do grupo Mashrou' Leila.

Na maioria dos casos, os crimes de "perversão" ou "incitação à libertinagem" são usados pela justiça egípcia na ausência de penalização explícita para homossexualidade no país.

"As forças de segurança do Egito têm feito abordagens a dezenas de pessoas, além de efetuarem exames anais, o que demonstra uma forte escalada por parte das autoridades em perseguir e intimidar membros da comunidade" LGBT, denunciou na segunda-feira Najia Bunaim, diretora de campanhas da Anistia Internacional para o norte do continente africano.

- 'Caça às bruxas' -

Mashrou' Leila é mundialmente conhecida como uma banda de pop rock árabe, comprometido com a causa LGBT.

"É repugnante pensar que toda essa histeria tenha sido causada porque alguns jovens levantaram um pedaço de pano em defesa do amor", argumentou o grupo por meio de um comunicado publicado no Facebook, no qual denuncia uma "caça às bruxas".

O grupo libanês, que já é 'persona non grata' na Jordânia, pode ser proibido de realizar futuras apresentações no Egito, conforme anunciou o conservador sindicato dos músicos do país.

Além disso, o Conselho Superior de Regulação da Mídia proibiu no sábado (30) qualquer "campanha a favor da homossexualidade" na imprensa, ao qualificá-la de "enfermidade vergonhosa".

Ainda que a polêmica em relação ao ocorrido tenha culminado em um debate nas redes sociais sobre as liberdades individuais, também foi usada pelas autoridades locais como meio para lançar críticas contra a comunidade gay.

Um imã da mesquita de Al Azhar, a instituição sunita mais importante, abordou o tema durante uma oração na última sexta-feira (29): "Da mesma maneira que a Al Azhar atua contra grupos extremistas (...), combaterá fortemente a degeneração e o desvio sexual", disse.

A Igreja Copta cristã manifestou também repúdio a homossexualidade.

Não é a primeira vez que a comunidade LGBT sofre repressão no Egito, o país mais populoso do mundo árabe. Em 2001, ocorreu a prisão de 52 homens na Queen Boat, discoteca flutuante no Rio Nilo, fato que comoveu e mobilizou a comunidade internacional e diversas ONGs.

Neuer Inhalt

Horizontal Line


subscription form

formulário para solicitar a newsletter

Assine a newsletter da swissinfo.ch e receba diretamente os nossos melhores artigos.

swissinfo.ch

Banner da página Facebook da swissinfo.ch em português

AFP