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O presidente angolano José Eduardo dos Santos (E) e seu provável sucessor, João Lourenço, durante evento de campanha em Luanda no dia 19 de agosto

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Angola comparecerá às urnas nesta quarta-feira (23) para eleições gerais marcadas pelo fim do mandato de 38 anos do presidente José Eduardo dos Santos, mas que, exceto em caso de guinada inesperada, prorrogarão a presença de seu partido no poder, em um país em plena crise econômica.

No poder desde a independência da ex-colônia portuguesa em 1975, o Movimento Popular para a Libertação de Angola (MPLA) deve ser o vencedor mais uma vez, o que levaria seu candidato e sucessor designado, o ex-ministro da Defesa João Lourenço, ao cargo de chefe de Estado.

Sem recursos financeiros e com pouco acesso aos meios de comunicação, os dois principais partidos da oposição, Unita e Casa-CE, não parecem ter condições de acabar com a maioria absoluta do MPLA no Parlamento.

De acordo com a Constituição angolana, o candidato do partido vencedor assume a presidência.

"Não vemos como o MPLA poderia perder a eleição. Uma derrota seria um tsunami", resume o pesquisador Didier Péclard, da Universidade de Genebra, acrescentando que "o único real desafio é saber com que margem vencerá".

No sábado (19), apenas quatro dias antes das eleições, José Eduardo dos Santos, de 74, pediu com muita dificuldade votos para seu sucessor diante de milhares de simpatizantes reunidos na periferia da capital Luanda.

"Não temos nenhuma dúvida sobre a vitória do MPLA. Nosso candidato será o futuro presidente da República. Por isso, eu peço: em 23 de agosto votem no MPLA (...) e em João Lourenço", sussurrou com uma voz quase inaudível.

Antes, ele se despediu rapidamente e de modo discreto das tropas, visivelmente cansado.

- Saúde delicada -

A saúde de "Zedu" parece ter precipitado o momento de sua aposentadoria, inicialmente planejada para 2018. Nos últimos meses, suas viagens "privadas" para a Espanha alimentaram os boatos, o que obrigou sua família a desmentir publicamente sua morte.

A análise é confirmada por Alex Vines, do "think tank" Chatham House.

"A decisão também reflete a certeza para a direção do MPLA de que uma nova candidatura do presidente teria provocado a redução de sua maioria", afirma.

José Eduardo dos Santos se orgulha de ter devolvido a paz ao país depois de uma guerra civil (1975-2002), mas deixa o poder em um país em crise.

Apesar da receita do petróleo que ajudou os cofres públicos durante 15 anos, Angola continua sendo um dos países mais pobres do planeta. E a queda dos preços do combustível desde 2014 deixou a nação à beira da asfixia financeira, com uma disparada do desemprego.

Os rivais do MPLA tentam usar a economia como principal argumento de campanha.

"Vocês que sofrem, que estão na pobreza, sem energia elétrica, sem emprego, sem nada que comer: a mudança é agora", repete há várias semanas o candidato da Unita, Isaias Samakuva.

O candidato da Casa-CE, Abel Chivukuvuku, denuncia com insistência a corrupção.

Se João Lourenço confirmar a vitória em 23 de agosto, sua tarefa será delicada.

Muitos duvidam de sua capacidade para superar o sistema adotado por Santos.

Para bloquear o controle do país, o chefe de Estado acaba de aprovar leis que o protegem da maioria dos processos judiciais e impedem por vários anos qualquer mudança no comando das Forças Armadas e da polícia.

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AFP