Conteúdo externo

O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.

Gabriel Birnbaum, pesquisador no Projeto de Dicionário Histórico no Israel's Academy of the Hebrew Language, em Jerusalém, mostra antiga nota escrita por Eliezer Ben Yehuda, considerado o pai do hebraico moderno, em 23 de agosto de 2017

(afp_tickers)

Gabriel Birnbaum não tira os olhos do computador, absorto na missão gigantesca de documentar e definir todas palavras em hebraico que surgiram ao longo dos milênios, desde a Bíblia e os Manuscritos do Mar Morto até as gírias contemporâneas.

Com óculos, duas canetas no bolso da camisa e uma quipá preta na cabeça, este pesquisador participa do projeto de dicionário histórico da Academia de Israel para o hebraico, lançado em 1959.

A obra levará anos para ser concluída, mas será um instrumento essencial para professores universitários, escritores e linguistas.

No final do século XIX, o hebraico ressuscitou como língua vernácula, após ser usado como língua de culto durante 1.700 anos.

"Fazemos algo muito importante pelo povo judeu, mas também para a linguística em geral, porque este é um enorme projeto linguístico por si só", explica Birnbaum à AFP, em seu escritório de Jerusalém.

A palavra "mesa" em hebraico, por exemplo, conta com quase 3.000 ocorrências, incluindo o livro do Êxodo da Bíblia, quando Deus ordena a Moisés que construa um tabernáculo.

Este tipo de dicionário existe em outras línguas, como o monumental Oxford English Dictionary, mas a história do renascimento do hebraico lhe confere um caráter particular.

- 'Um milagre' -

Na época bíblica, as comunidades judias falavam hebraico, mas ao serem obrigadas ao exílio, a língua oral foi desaparecendo, enquanto a escrita perdurava.

Dezessete séculos mais tarde, no XIX, a língua oral reviveu graças ao movimento sionista que preconizava o regresso dos judeus às terras que seus antepassados tiveram que abandonar.

O hebraico depois se tornou língua oficial do Estado de Israel, criado em 1948, um renascimento considerado único na história.

"É um milagre", resume Gabriel Birnbaum, que aos seis anos deixou a Hungria rumo a Israel.

O projeto ao que se dedica segue os passos de Eliezer Ben Yehuda, um ensaísta membro do movimento sionista e considerado o pai do hebraico moderno.

O quartel-general do projeto abriga os livros de Ben Yehuda (1858-1922), que começou a redigir à mão o primeiro dicionário de hebraico moderno.

Hoje, cerca de 20 pessoas trabalham no projeto do novo dicionário.

A maioria dos manuscritos antigos e das inscrições se encontram fora de Israel, de modo que durante muito tempo tiveram que recorrer a fotocópias.

Agora alguns dos escritos estão na internet, como o calendário Gezer, considerado pelos especialistas o documento mais antigo redigido em hebraico, no século X antes de Cristo.

- Uma tarefa imensa -

Cerca de 50.000 palavras do dicionário já estão disponíveis na internet, assim como as análises linguísticas e as definições redigidas desde 2005.

"A ideia é dispor, a longo prazo, de um banco de dados eletrônico", explica Steven Fassberg, um dos responsáveis do projeto. "Ninguém pode se aventurar a prever quanto tempo levará" terminar a obra, acrescenta.

"Os projetos de dicionário que traçam a história da língua de uma nação costumam estar vinculados às crenças culturais e ideológicas sobre o estatuto da nação, o patriotismo. Mas acredito que este é uma exceção", estima Charlotte Brewer, professora do College Hertford de Oxford, que estuda o Oxford English Dictionary.

Gabriel Birnbaum se orgulha de continuar o trabalho iniciado por Eliezer Ben Yehuda. Na sala, com móveis que pertenceram a este último, aponta para um quadro com uma inscrição tradicional judia que resume sua missão: "O dia é curto e a tarefa é grande".

Neuer Inhalt

Horizontal Line


subscription form

formulário para solicitar a newsletter

Assine a newsletter da swissinfo.ch e receba diretamente os nossos melhores artigos.

swissinfo.ch

Banner da página Facebook da swissinfo.ch em português

AFP