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Um senhor caminha em frente a um muro com cartazes pró-referendo em Santa Coloma de Gramenet, 16 de setembro de 2017. Nesta cidade ao norte de Barcelona, muitos moradores desaprovam a independência, proclamada em 27 de outubro, e querem permanecer na Espanha

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Em Santa Coloma de Gramenet, cidade ao norte de Barcelona com mais bandeiras espanholas que separatistas, os moradores desaprovam a secessão, declarada na véspera (27) pelo Parlamento catalão. Para eles, esta "república" não reconhecida internacionalmente não os representa.

Nesta cidade de 120 mil habitantes, com grandes blocos de tijolos alaranjados, muitos são catalães de adoção: andaluzes, castelhano-leoneses, que chegaram há 50 anos e com filhos e netos nascidos aqui.

Diante do novo mercado do centro da cidade, este sábado (28) é um dia como qualquer outro em Santa Coloma, ainda que há menos de 24 horas o Parlamento regional tenha proclamado uma República catalã que não foi reconhecida por nenhum país.

"Parecemos bobos na Europa", avalia a confeiteira Ana Guerrero, enquanto empilha calmamente bolos e bolinhos em cestinhas de plástico.

"Deveriam fazer um referendo legal, mas assim como foi feito, não", acrescenta, agora pesando uns bombons. Esta vendedora de 48 anos não está completamente de acordo com o chefe de governo espanhol, Mariano Rajoy, mas para ela, ele "está agindo como deveria".

Em frente ao mercado, Isabel Hernanz e Isabel Escribano, mãe e filha de 77 e 52 anos, caminham de braços dados.

A mãe, vinda de Castela "há 22 anos para se casar", quer acreditar que "não vai acontecer nada", só fogos de artifício. "É um 'boom' que explodiu e que nos deixou desconcertados".

Ela agora lamenta que os contrários à secessão não o tivessem manifestado com mais força. "Deveríamos ter nos mobilizado e expressado desde o começo, mas somos gente mais calada".

Sua filha, que trabalha com seguros, avalia que "o Parlamento catalão não levou em conta os 60% da população que não querem a independência".

Foi declarada "sem contar com o restante das pessoas que tem direito, sim, a voto e queria votar" em um referendo legal. E condena Madri: "se o governo tivesse permitido esta votação, tudo isto não teria acontecido".

Quando a mãe garante que "vai ser difícil reconciliar" os dois campos, a jovem concorda: "não vai ser possível falar de política na rua durante muito tempo".

"Ainda estamos na Espanha", coincidem as duas mulheres, que vão participar da manifestação prevista para o domingo ao meio-dia (08h em Brasília), com uma grande passeata contra a secessão.

- "Feridas nas famílias"-

O racha social se abre, inclusive entre "os amigos", confirma Salvador García. Para ele, está claro que os partidários de prosseguir na Espanha "são muitos mais, mas sempre estiveram calados e amanhã [isso] vai aparecer".

Ele se mostra especialmente preocupado com a economia. "As empresas vão embora, as sedes sociais, as fiscais, tudo isso são menos impostos (a arrecadar) que vamos ter que pagar nós, os trabalhadores", diz este cozinheiro de 55 anos sobre a transferências de sedes sociais de quase 1.700 empresas da Catalunha no último mês.

"É preciso resolver [isto] de uma forma ou de outra. Não há outra alternativa. Agora, como vai se resolver, isso não sei", lamenta.

Para Manuel Andaluz, a solução é "clara e simples". "Quem a deu foi a comunidade internacional, é estar dentro da Constituição", explica este professor aposentado de 65 anos.

"A Generalitat [governo autônomo catalão] mentiu para o povo, não representa mais que a metade da população", enquanto que, segundo ele, "o governo de Rajoy não fez mais que aplicar a Constituição".

Este homem, originário de Zaragoza e radicado há mais de quarenta anos aqui, considera "horrível o que aconteceu ontem (sexta-feira)".

E fala das "feridas nas famílias", que ele vive na própria carne com seus cinco irmãos: "três pensam de uma forma e três de outra".

Para ele, o Parlamento catalão deve "enfrentar a realidade legal que existe na Espanha", antes de acrescentar: "amo a Espanha e tenho o direito de viver aqui como todo mundo".

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AFP