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Embargo é 'ainda mais cruel' durante a pandemia, denuncia Cuba

Policial reforça a segurança no bairro El Carmelo, em Havana, 4 de abril de 2020, em meio às medidas de isolamento adotadas pelas autoridades cubanas para conter a disseminação da COVID-19 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 10. abril 2020 - 22:45
(AFP)

Cuba denunciou nesta sexta-feira (10) que o embargo aplicado pelos Estados Unidos contra a ilha desde 1962 é "ainda mais cruel" durante a pandemia do novo coronavírus, complicando a compra de insumos médicos em um país que soma 564 casos de COVID-19, com 15 mortes.

"O bloqueio econômico-financeiro dos Estados Unidos é o sistema de sanções mais injusto, severo, prolongado de um país para outro em todos os tempos", disse em coletiva de imprensa Néstor Marimón, diretor de Relações Internacionais do Ministério da Saúde.

"O sistema de saúde é o que mais afetação tem, porque compromete o bem-estar do nosso povo", explicou. O bloqueio é ainda mais cruel e genocida do que normalmente é (...), quando não estamos com uma epidemia", acrescentou Marimón.

Embora a medida aplicada pelos Estados Unidos permita desde 1992 o envio à ilha de medicamentos, desde que em benefício exclusivo da população, muitas companhias e bancos temem sofrer sanções por participar de trocas comerciais com a ilha.

Com a chegada de Donald Trump ao poder, as sanções americanas foram reforçadas, o que complica a chegada de insumos de outros países.

Cuba denunciou recentemente que uma remessa de máscaras, kits de testes e respiradores oferecidos pelo fundador do grupo chinês Alibaba não chegou a Cuba porque a empresa americana que devia transportá-la temia sofrer sanções.

"É muito difícil adquirir equipamentos, insumos, medicamentos. Somos obrigados a adquiri-los de mercados muito distantes, onde os custos dobram, triplicam, e muitas vezes chegam com atraso", afirmou Marimón.

Segundo cálculos preliminares, entre abril de 2019 e março de 2020, "o dano" causado pelo embargo "ao Ministério da Saúde chegou a 160 milhões de dólares, 60 milhões (de dólares) a mais que no ano passado", e o montante acumulado desde 1962 excede "3 bilhões de dólares", detalhou.

Em uma ilha afetada pela escassez recorrente de alimentos e medicamentos, a ONG Oxfam reivindicou recentemente a suspensão do embargo, assim como oito organizações favoráveis à abertura a Cuba.

"As sanções dos EUA a Cuba são desenhadas para negar recursos ao regime de Castro", escreveu no Twitter recentemente o vice-secretário interino dos Estados Unidos para o Hemisfério Ocidental, Michael Kozak.

Estes recursos "são usados para controlar e abusar dos direitos do povo cubano e interferir nos países da região", como a Venezuela, assegurou.

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