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A companhia indiana Adani anunciou o início do projeto de uma mina de carvão perto da Grande Barreira de Coral australiana, criticado pelos ecologistas que denunciam seu impacto neste lugar inscrito no Patrimônio da Humanidade

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A companhia indiana Adani anunciou nesta terça-feira o início do gigantesco projeto de uma mina de carvão perto da Grande Barreira de Coral australiana, duramente criticado pelos ecologistas que denunciam seu impacto neste lugar inscrito no Patrimônio da Humanidade.

O presidente do conglomerado, o bilionário Gautam Adani, explicou que seu conselho de administração havia tomado "sua decisão final de investimento", assinando o "lançamento oficial" do projeto Carmichael, de um orçamento de 21,7 bilhões de dólares australianos (14,4 bilhões de euros).

Os defensores do meio ambiente apontaram, no entanto, que o grupo indiano não revelou como a mina seria financiada, já que vários bancos decidiram não participar do projeto.

Para os ecologistas, o carvão produzido nesta mina - 60 milhões de toneladas de carvão térmico por ano, destinadas a Índia - contribuirá para o aquecimento global que deteriora a Grande Barreira. A matéria-prima terá que transitar, além disso, por um porto próximo ao maior recife de coral do mundo, segundo eles.

A mina, situada no estado de Queensland, teve que superar vários obstáculos judiciais e normativos, que atrasaram em sete anos o início da sua construção.

"Passamos a página da espera, chegou o momento de agir", comentou o ministro federal de Recursos, Matt Canavan.

- 'Alvo dos ativistas' -

O projeto colossal, que inclui minas subterrâneas e ao ar livre no centro de Queensland, prevê também a construção de 189 km de ferrovia para transportar o carvão para o mar.

As obras preliminares de construção começarão no último trimestre de 2017, segundo Adani, que anunciou a criação de 10.000 empregos diretos e indiretos.

A empresa indiana denunciou os ativistas ambientais por causar entraves ao processo, acusando-os de utilizar indevidamente brechas legais.

"Fomos desafiados pelos ativistas nos tribunais, nas ruas das cidades e inclusive pelos bancos que nem sequer solicitamos", acrescentou a empresa.

"Continuamos sendo alvo dos ativistas. Mas nos comprometemos com este projeto. Nos comprometemos com Queensland e nos comprometemos a enfrentar a pobreza energética na Índia".

O ministro australiano Canavan também criticou as ações dos ecologistas, lembrando "dos 250 milhões de indianos que não têm acesso à eletricidade".

Várias personalidades australianas assinaram recentemente uma carta aberta pedindo que a Adani renuncie à Carmichael, citando a oposição da opinião pública, os riscos para a saúde dos menores, o possível impacto na Grande Barreira e a reputação da Índia.

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