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(Arquivo) O enfermeiro alemão Nils Högel, condenado pela morte de dois pacientes, é suspeito, agora, de, pelo menos, 84 assassinatos na Alemanha entre 2000 e 2005

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Ao menos 90 mortos, talvez o dobro. A Polícia alemã estabeleceu nesta segunda-feira (28) este balanço após 12 anos de investigação sobre o enfermeiro Niels Högel, assassino em série e um caso "excepcional" na história nacional contemporânea.

Depois de "134 exumações e centenas de testemunhos, podemos provar ao menos 90 assassinatos e um número próximo que não podemos provar", declarou à imprensa o chefe da investigação, Arne Schmidt.

"Este número (de mortos) é excepcional, único, na história da República Federal da Alemanha", acrescentou, anunciando que a comissão de investigação especial "Kardio" responsável pelo caso havia concluído seu trabalho.

"O que descobrimos é assustador. Ultrapassa tudo o que poderíamos imaginar", insistiu o chefe da Polícia de Oldenburgo (norte), Johann Kühme.

Niels Högel teria matado a maioria dos pacientes com a administração de overdoses de medicamentos no período de recuperação. Os investigadores admitem que a lista de vítimas nunca poderá ser estabelecida com certeza.

Não tinha "preferências" de idade, ou sexo, mas "optava pelos pacientes que se encontravam em estado crítico", indicou Schmidt.

Högel foi condenado em 26 de fevereiro de 2015 à prisão perpétua pela morte de dois pacientes e por quatro tentativas de assassinato que levaram à morte dos pacientes. Além desses seis casos, os investigadores indicaram que descobriram outros 48, elevando para 90 (contando outros determinados anteriormente) o total de mortes imputadas a Högel.

Em junho de 2016, durante um balanço anterior, os investigadores estabeleceram sua responsabilidade em 33 mortes.

A investigação foi reaberta em 2014, quando o enfermeiro confessou 50 assassinatos, em conversa com um colega de prisão, e outros 30 assassinatos e cerca de outras 60 tentativas, a um psiquiatra.

- 'Tédio' -

O caso também revela as falhas das duas clínicas onde o enfermeiro trabalhou. Apesar de as mortes dos pacientes acontecerem quando Högel estava de serviço, nenhum mecanismo interno soou o alarme.

Segundo os investigadores, "ninguém quis assumir suas responsabilidades".

As clínicas de Delmenhorst e de Oldenburgo são investigadas a fim de determinar responsabilidades, uma vez que "os assassinatos poderiam ter sido evitados", declarou o chefe da polícia de Oldenburgo.

O caso foi revelado em 2005, quando um colega de trabalho surpreendeu Högel no momento em que ele aplicava uma injeção não autorizada em um paciente de uma clínica de Delmenhorst. Isso lhe valeu, em 2008, sua primeira condenação por tentativa de assassinato.

Assustada com esse primeiro caso, uma mulher começou a ter dúvidas sobre a morte de sua mãe. Vários corpos foram exumados, e os investigadores encontraram vestígios de substâncias suspeitas em cinco. Chegaram à conclusão de injeções mortais em três casos e, nos outros dois, de uma "causa provável" do falecimento.

Durante o julgamento em Oldenburgo, Högel pediu perdão às famílias e justificou seus atos pelo "tédio".

Ele alegou que praticou essas injeções para levar os pacientes ao limiar da morte, a fim de demonstrar sua capacidade de trazê-los à vida.

Seja como for, após 12 anos de investigação, a lista definitiva de vítimas nunca poderá ser estabelecida com precisão.

"O suspeito não se lembra de casos, mas, em mais de 30 casos, recordava de pacientes concretos e de seu comportamento", relatou a diretora do Ministério Público da mesma cidade, Daniela Schiereck-Bohlemann.

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AFP