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Assembleia Constituinte em Caracas, no dia 18 de outubro de 2017

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Em Petare, a maior favela da Venezuela, José às vezes come uma vez ao dia. Mas no domingo (15), ele não hesitou em votar na situação nas eleições regionais.

O mesmo fizeram Cristóbal e Eddie, seguidores fiéis de uma "revolução" que, segundo eles, "ama os pobres".

Os três fazem parte do voto duro governista. Sustentaram seu apoio ao governo socialista desde que Hugo Chávez foi eleito em 1998 para seu primeiro mandato.

Agora, dizem, o presidente Nicolás Maduro - herdeiro de Chávez - não vai lhes faltar, embora a crise econômica asfixie a população que enfrenta uma severa escassez de alimentos e medicamentos.

A situação conquistou 18 de 23 governos estaduais, em meio a denúncias de irregularidades de parte da oposição.

A joia da coroa foi o estado de Miranda, governado durante nove anos pelo opositor Henrique Capriles, duas vezes candidato à Presidência.

Ali, encravada em um morro, fica a populosa e empobrecida Petare, no leste de Caracas.

- "Passamos fome, mas resistimos" -

José Yáñez tem 72 anos e mora com a irmã mais velha em uma casa humilde com telhado de zinco.

Ele votou e continuará votando no governo porque com Chávez - afirma - avançaram os projetos sociais: "Em que país do mundo um governo faz um milhão e 800 mil casas para a gente mais necessitada?", pergunta.

A inflação, que o FMI estima em 652,7% para 2017, o afeta. Ele já está aposentado, mas precisa trabalhar como vigia. Assim, arredonda ao mês dois salários mínimos - 200 dólares na taxa oficial, pouco mais de R$ 630,00. "A gente sobrevive resistindo", afirma.

A oposição - justifica - "tentando se livrar do governo, tem sido cúmplice de uma guerra econômica", que o governo atribui a empresários de direita que supostamente retêm produtos provocando escassez e especulação.

"Estamos passando fome, às vezes fazemos uma refeição diária, mas continuamos resistindo porque o cara (Chávez) soube dar amor e o povo pobre o reconhece. Vou continuar sendo chavista até morrer", afirma.

- "Se ganham, nos matam" -

Os olhos azuis de Cristóbal Ramírez contrastam com a camiseta vermelha que traz estampada a silhueta de Maduro. Ele assiste ao presidente em uma tevê pendurada na parede encardida de sua oficina mecânica.

O homem de 67 anos confessa que apoiou o candidato governista "porque o senhor da oposição não se ocupou das comunidades de Petare, todas estão acabadas e cheias de lixo".

"Enquanto aqueles (os opositores) nos escondem a comida, o governo nos estende a mão com alimentos", argumenta.

Seu apoio - esclarece - não é "porque tenham lhe dado benefícios". Só recebeu "às vezes", caixas de comida a preços subsidiados, diz.

"Nossa esperança é que o país se desenvolva em harmonia, em paz, sem violência", diz, ao se referir aos quatro meses de protestos contra Maduro, que deixaram 125 mortos.

Alguma vez pensou votar na oposição, mas desistiu: "Nunca os ouvi falando com os pobres. Se nos tratam mal sem estar no governo, se ganharem, vão matar todos nós".

- A "revolução dos pobres" -

Um cartaz do governador eleito de Miranda se destaca na fachada da casa de Eddie Mesa, líder comunitário de 55 anos.

Ele apoia a "revolução" porque está convencido de que os chavistas "amam os pobres" e os ajudam com missões sociais e subsídios.

Mora com a esposa, as duas filhas de 27 e 35 anos e três netos de cinco, sete e 14 anos. "Não passamos fome graças a Deus".

"Se for preciso dar a vida pela revolução, a damos porque vemos que ajuda o povo", afirmou.

Ele culpa a oposição por buscar sanções que agravaram a crise. "Há uma guerra econômica induzida e um bloqueio dos Estados Unidos. Queriam uma explosão social, mas o povo paciente, 'caladinho', deu o voto de castigo", opinou.

Eddie lembra que quando criança quase ia descalço para a escola, mas as crianças, diz, ganham 'Canaimita', como são chamados os computadores portáteis com software livre que o governo distribui em escolas públicas com poucos recursos.

"Esta é uma revolução que ama os pobres", afirma.

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AFP