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Epicentro da pandemia na América Latina, Brasil preocupa vizinhos

Militares bloqueiam acesso à Ponte da Amizade em Ciudad del Este, Paraguai, na fronteira com o Brasil, 18 de março de 2020 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 07. maio 2020 - 02:35
(AFP)

O Brasil é o epicentro da pandemia de COVID-19 na América Latina e seus vizinhos se mostram preocupados com a evolução da crise no maior país da América do Sul, onde o presidente Jair Bolsonaro se opõe publicamente às medidas restritivas para conter o avanço da doença.

O país, que soma 125.218 casos de COVID-19 e 8.536 mortes desde o início da pandemia, faz fronteira com dez países: Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname, França (através da Guiana Francesa), Peru, Bolívia, Argentina, Paraguai e Uruguai.

Para se ter uma ideia da magnitude da crise no Brasil, cabe destacar que os países fronteiriços somam, juntos, 72.000 casos do novo coronavírus. E muitos especialistas consideram que o total de contagiados no país poderia ser 15 vezes superior ao informado pelas autoridades brasileiras, pois só são feitos testes de detecção em pacientes graves.

Por isto, à espera de que o pico da pandemia chegue nos próximos dias em diferentes pontos da região, vários países observam com preocupação seu vizinho, enquanto Bolsonaro desconsidera a gravidade da pandemia e incentiva a população a desrespeitar as medidas de distanciamento social impostas por governadores e prefeitos para tentar contê-la.

Na Argentina, que mantém uma quarentena nacional desde 20 de março, o presidente Alberto Fernández expressou várias vezes sua inquietação com o avanço da epidemia no Brasil e a atitude de Bolsonaro.

"Obviamente que é um risco muito grande (...) Aqui estão entrando caminhões do Brasil transportando cargas de São Paulo, que é um dos locais mais infectados" do país, declarou Fernández nesta quarta-feira à Rádio con Vos.

Semanas atrás, durante entrevista ao portal El Cohete a la Luna, o presidente peronista de centro-esquerda, já havia lamentado que no Brasil, principal parceiro comercial da Argentina, "ninguém" estivesse "respondendo ao problema do coronavírus com seriedade".

- "Um risco muito grande" –

No Paraguai, parceiro do Brasil no Mercosul com Argentina e Uruguai, o governo conservador recusou-se a abrir gradativamente a fronteira com o Brasil, como queriam os comerciantes da fronteiriça Ciudad del Este.

O presidente Mario Abdo Benítez ordenou, ao contrário, redobrar o controle militar nas principais passagens fronteiriças para evitar a entrada de doentes com COVID-19 no país.

"A velocidade de propagação do coronavírus no Brasil representa um risco muito grande a qualquer eventual abertura", reforçou o ministro de Saúde paraguaio, Julio Mazzoleni, durante coletiva de imprensa.

Na terça-feira, o Uruguai anunciou um aumento do controle sanitário na fronteira com o Brasil ao ver com "preocupação" a existência de casos de coronavírus em cidades fronteiriças do país, informou o secretário da Presidência, Álvaro Delgado.

Embora o Uruguai tenha proibido a entrada de estrangeiros para conter a pandemia, ficaram isentos residentes de cidades que fazem fronteira com o Brasil, que frequentemente moram de um lado e trabalham do outro.

O presidente uruguaio, Luis Lacalle Pou, que visitou nesta quarta-feira o departamento (estado) de Cerro Largo, limítrofe com o Brasil, anunciou que seu governo tenta desenhar uma política de saúde conjunta com o Executivo de Bolsonaro para evitar contágios em massa na fronteira.

- Temor na Amazônia -

Na Colômbia, o governo conservador de Iván Duque não demonstrou preocupação com o Brasil, mas a situação no país vizinho gera alarme nos estados amazônicos.

Embora Bogotá tenha decretado o fechamento de suas fronteiras terrestres em 16 de março, estas são "muito porosas, há muitas partes por onde se pode passar", advertiu à AFP Daniel Oliveira, administrador do departamento (estado) do Amazonas.

Neste departamento, situado na fronteira com o Brasil, há 30 casos de coronavírus por 10.000 habitantes, a pior cifra do país, à frente de Bogotá, com quatro casos pelo mesmo número de pessoas.

Em Letícia, capital da província, dos dez primeiros casos detectados, cinco foram importados do país vizinho.

A região amazônica colombiana, despovoada e pobre, é especialmente vulnerável. Cinquenta e oito por cento de sua população é indígena e está em "risco de extinção" pela pandemia, alertou a Organização Nacional Indígena da Colômbia (ONIC).

"Aqui não há água potável, o sistema de saúde é muito precário (...) Se o vírus se espalhar nos territórios, as mortes seriam inimagináveis", advertiu Arley Cañas, membro do povo Inga, na reserva Uitiboc.

Na Venezuela, o governo socialista de Nicolás Maduro tem multiplicado as críticas a Bolsonaro e qualificado de "grande ameaça" para seu país a proximidade do Brasil pela "estupidez" de Bolsonaro.

"Sua irresponsabilidade levou milhares de brasileiros a se contagiarem. Levou à morte de milhares", disse Maduro sobre Bolsonaro, um de seus adversários na região, que o qualificou várias vezes de "ditador".

Segundo a imprensa local, o governador do fronteiriço estado de Bolívar, Justo Noguera, avaliou que no começo do mês, 1.600 venezuelanos tinham voltado ao seu país pelas passagens fronteiriças com o Brasil durante a emergência provocada pelo novo coronavírus.

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