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O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, é fotografado durante encontro, em 16 de maio de 2017, com o contraparte americano, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca

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O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, condenou nesta quinta-feira as ordens de detenção emitidas em Washington contra 12 de seus guardas, acusados de participar em confrontos com manifestantes pró-curdos, durante sua visita aos Estados Unidos, em maio.

"Lutaremos política e judicialmente" contra essa decisão, declarou Erdogan em um discurso proferido em Ancara, no qual acusou a polícia americana de não ter feito nada para conter os terroristas que protestavam contra ele.

O governo turco anunciou ter "convidado" o embaixador americano em Ancara, após esta notícia.

Os confrontos entre os guarda-costas turcos e manifestantes curdos ocorreram em 16 de maio, em Washington, após uma reunião entre Erdogan e seu contraparte americano, Donald Trump. O incidente deixou 12 pessoas feridas, inclusive um policial, e provocou certa indignação nos Estados Unidos.

As autoridades dos Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira a emissão de 12 ordens de prisão contra agentes de segurança de Erdogan, identificados, segundo o chefe da polícia de Washington, por meio de gravações de vídeo.

Na véspera, dois turcos residentes nos EUA foram detidos por envolvimento no mesmo caso.

"Detiveram dois de nossos cidadãos. Como é possível? E emitiram ordens de detenção contra 12 de meus guardas. Que tipo de legislação é essa? Que tipo de direito?", questionou, indignado, o presidente turco.

"Se não fosse para me proteger, por que levaria meus guardas comigo aos Estados Unidos? Hans e Georges vão me proteger?", perguntou, recorrendo a dois nomes que ele costuma usar para criticar o Ocidente.

A Turquia mantém um conflito aberto com os separatistas do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), qualificado de "terrorista" por Ancara, e também com Washington e Bruxelas. O confronto com os curdos deixou mais de 40 mil mortos desde 1984.

As relações entre Ancara e Washington, aliados no âmbito da Otan, deterioraram-se muito nos últimos meses, devido, sobretudo, ao apoio americano às milícias curdas da Síria, às quais a Turquia considera "terroristas".

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