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O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, durante coletiva em Nova Délhi, em 1º de maio de 2017

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O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, exigiu nesta terça-feira à União Europeia (UE) que reabra as negociações de adesão, em um discurso no qual formalizou sua volta ao partido do governo, graças à recente reforma constitucional.

"Vocês não têm outra opção se não abrir os capítulos que não foram abertos", lançou durante um discurso em Ancara. "Se abrirem, muito bem. Caso contrário, adeus!", ressaltou.

As relações entre Ancara e Bruxelas, muito deterioradas desde o golpe de Estado frustrado em julho passado, ficaram ainda mais tensas durante a campanha para o referendo destinado a reforçar os poderes de Erdogan, por conta da proibição de comícios turcos em algumas cidades europeias.

O processo de adesão da Turquia à UE se encontra no limbo há vários anos, e seu progresso parece pouco provável.

Desde o início oficial das conversas de adesão da Turquia à UE, em 2005, foram abertos 16 capítulos de 35. O mais recente, em junho de 2016, trata sobre questões financeiras e orçamentárias.

Apesar das tensões, a Turquia continua sendo um importante sócio da UE, em particular no que concerne à luta antiterrorista e à questão migratória.

Ancara e Bruxelas concluíram no ano passado um acordo para reduzir drasticamente a passagem de migrantes clandestinos até a Grécia da costa da Turquia para o mar Egeu.

A Turquia e a UE discutirão sobre a organização de uma "grande cúpula" durante a próxima reunião da Otan no fim de maio em Bruxelas, declarou o ministro turco das Relações Exteriores, citado pela emissora A Haber.

- Erdogan volta ao AKP -

Erdogan fez estas declarações durante um discurso que marcou seu retorno ao Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), que ajudou a fundar em 2011, e que dominou a cena política turca nos últimos 15 anos, ganhando todas as eleições desde 2002.

O presidente turco deveria abandonar qualquer filiação política ao assumir o poder, mas com a recente reforma de 16 de abril que concede mais poderes a Erdogan, agora já não é mais necessário.

Esta medida permitirá a Erdogan conseguir, em um congresso extraordinário em 21 de maio, a direção do AKP.

O retorno de Erdogan ao AKP foi como uma cena de filme. As emissoras turcas divulgaram imagens ao vivo do comboio presidencial que se dirigia à sede do partido, cuja fachada estava coberta por um gigantesco retrato do chefe de Estado.

Depois, Erdogan assinou o documento que oficializa seu retorno às fileiras do AKP diante de centenas de deputados e membros do partido, que entoaram o hino nacional.

"Volta ao ninho aquele que fundou o AKP", declarou o primeiro-ministro, Binali Yildrim. "Bem-vindo. Estamos honrados", acrescentou.

Os detratores de Erdogan criticam uma medida que põe fim à imparcialidade do presidente. Entretanto, ele alega que o fundador da República, Mustafa Kemal Atatürk, também era líder de seu partido enquanto dirigia o país.

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