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Erdogan garante que 'luta' do Azerbaijão contra Armênia não terminou

Recep Tayyip Erdogan e o presidente azerbaijano, Ilham Aliyev, em reunião no Palácio da Juventude, em Baku, em 10 de dezembro de 2020 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 10. dezembro 2020 - 13:52
(AFP)

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, assegurou, nesta quinta-feira (10), durante uma visita a Baku que a "luta" do Azerbaijão, seu aliado, contra a Armênia não terminou, mesmo após sua vitória no conflito em Nagorno Karabakh.

Sua viagem a este país do Cáucaso muçulmano e de língua turca ocorre um mês depois da derrota militar da Armênia, que teve de ceder territórios importantes em Nagorno Karabakh e seus arredores, no âmbito de um acordo que pôs fim às hostilidades.

A república autoproclamada, em território azerbaijano e hoje povoada quase exclusivamente por armênios, continuará existindo, embora enfraquecida e reduzida, mas sem que o acordo negociado por Moscou resolva seu status.

Soldados russos de manutenção da paz foram enviados à região.

"O fato de o Azerbaijão ter salvado suas terras da ocupação não significa que a luta acabou", declarou Erdogan, em um discurso durante um desfile militar em Baku.

"A batalha no âmbito político e militar agora vai continuar em outras frentes", proclamou.

Convocando os líderes armênios a "serem razoáveis" após sua derrota na guerra de seis semanas travada no outono, ele garantiu que a recuperação do controle do Azerbaijão em vários territórios "será apenas o início de uma nova era" nesta região montanhosa.

A Armênia "tem que se dar conta de que não obterá nenhum resultado com as mensagens de encorajamento dos imperialistas ocidentais", acrescentou o presidente, cujo país é membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Erdogan também acusou Erevan de cometer crimes de guerra em Nagorno Karabakh.

Nesta quinta, a ONG Anistia Internacional pediu investigações independentes para identificar os autores de crimes de guerra cometidos pelo Azerbaijão, ou pelas forças armênias, e "levá-los à Justiça".

- O apreciado apoio turco -

O presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, agradeceu pelo apoio inabalável de Ancara neste conflito, que "deu confiança ao povo do Azerbaijão".

"A Armênia não esteve em posição de se medir conosco - nem do ponto de vista econômico, nem militar", comemorou.

A recente vitória de Baku, armada pela Turquia, permite a Ancara reforçar seu peso geopolítico no Cáucaso, uma zona de interesse russa.

"O Azerbaijão não teria sido capaz de obter um êxito militar em Karabakh sem o aberto apoio político da Turquia", disse à AFP o analista Elhan Shahinoglu, do "think tank" Atlas, com sede em Baku.

Para ele, sem o apoio de Erdogan, a Rússia, potência regional e aliada da Armênia, teria pressionado Baku e encerrado os combates, como foi o caso em outros confrontos dos últimos anos.

- 'Uma nação, dois Estados' -

Essa humilhante derrota para a Armênia, que venceu as forças do Azerbaijão em uma primeira guerra na década de 1990, provocou a ira de Erevan, onde a oposição milita e se manifesta quase diariamente pedindo a renúncia do primeiro-ministro Nikol Pashinyan.

A Armênia acusou a Turquia de se envolver diretamente nos combates, o que Ancara nega.

Geralmente simbolizada pelo slogan "Uma nação, dois estados", a aliança entre Turquia e Azerbaijão foi criada quando Baku se tornou independente da URSS, em 1991, e se fortaleceu sob a presidência de Erdogan.

No âmbito desta cooperação política, econômica e militar, a Turquia ajudou o Azerbaijão a treinar e equipar seu Exército, além de facilitar suas exportações de hidrocarbonetos para a Europa, sem passar pela Rússia.

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