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Erdogan e a mulher, Ermine, comemoram com partidários a vitória nas eleições, em Ancara

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O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, prepara-se para levar a Turquia a uma nova era quando assumir o cargo de presidente, em duas semanas, depois de vencer neste domingo as eleições, consideradas históricas.

Erdogan prometeu construir uma nova Turquia e reconciliar um país dividido, a partir do balcão da sede de seu partido em Ancara, onde fez o discurso de vitória à meia-noite diante de dezenas de milhares de simpatizantes.

Erdogan é primeiro-ministro da Turquia há 11 anos, um período no qual tentou modernizar o país e assumir um maior protagonismo na comunidade internacional. Agora tem a possibilidade de servir por dois mandatos presidenciais de cinco anos, o que o deixaria no poder até 2024.

Sem perder tempo, o premiê reuniu nesta segunda-feira à tarde os líderes de seu Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP) para discutir o sucessor à frente do partido e do governo antes de sua posse.

Esta escolha deverá ser anunciada no dia 27 de agosto durante um congresso extraordinário. Erdogan tomará posse como presidente no dia 28 de agosto.

"Ainda não discutimos nomes", declarou o porta-voz do AKP, Hüseyin Celik, "os chefes do partido e o primeiro-ministro vão se consultar e nos informar sobre um nome".

Entre os nomes mais citados estão o do atual ministro das Relações Exteriores, Ahmet Davutoglu, e dois vice-primeiro-ministros, Ali Babacan e Bülent Arinç.

O futuro do presidente em fim de mandato, Abdullah Gul, co-fundador do AKP junto a Erdogan, que se distanciou do primeiro-ministro e mantém o silêncio sobre seus planos, também pode ser uma opção.

Gul declarou nesta segunda-feira que mesmo após o fim de seu mandato, em 28 de agosto, continuará a trabalhar junto com seu partido.

As eleições de domingo foram as primeiras por voto universal direto na história da Turquia - os chefes de Estado anteriores eram eleitos pelo Parlamento - e Erdogan prometeu que será o "presidente do povo".

"O povo turco fez história ontem", afirma o jornal pró-Erdogan Sabah, com uma fotografia do novo presidente durante o discurso da vitória, com a mão no coração.

Entramos em uma nova era

A vitória de Erdogan não foi tão esmagadora quanto previam as pesquisas, mas ele conseguiu se impor no primeiro turno contra seu principal rival, Ekmeleddin Ihsanoglu.

Erdogan conquistou 51,46% dos votos, Ihsanoglu 38,46% e o terceiro candidato, o curdo Selahattin Demirtas, 9,80%, segundo os resultados com base na apuração quase definitiva.

A participação foi de 73,68%, um número que em muitos países seria considerado alto, mas que fica muito abaixo dos 89% alcançados nas eleições locais turcas de março.

As vozes críticas lamentaram que a campanha tenha sido muito tendenciosa a favor de Erdogan, cuja propaganda eleitoral dominou as televisões e os cartazes de publicidade nos dias anteriores à votação.

"Erdogan se converteu no primeiro presidente diretamente eleito pelo povo, depois de um processo eleitoral injusto", destacou o jornal fortemente secular Cumhuriyet.

Os observadores da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) afirmaram em um comunicado nesta segunda-feira que tanto Erdogan quanto seus dois adversários puderam desenvolver sua campanha eleitoral livremente, embora também tenham afirmado que "o uso que o primeiro-ministro fez de sua posição oficial, unido a uma cobertura midiática partidarista, lhe deram uma grande vantagem sobre os outros candidatos".

Milhares de turcos tomaram as ruas de Istambul, tocando as buzinas de seus carros e agitando as bandeiras turcas para celebrar a vitória de Erdogan. Em Ancara foram lançados fogos de artifício.

No discurso da vitória, Erdogan passou uma mensagem de reconciliação, após uma campanha por vezes dura.

"Fechamos hoje uma era e entramos em uma nova", disse, prometendo ser "o presidente dos 77 milhões de turcos" e esquecendo as disputas do passado.

Erdogan superará o tempo no poder de Mustafa Kemal Atatuk, fundador do Estado turco em 1923.

AFP