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Foto cedida pela assessoria de imprensa da presidência turca mostra o presidente Recep Tayyip Erdogan (E) e o rei Salman da Arábia Saudita, em Jidá, em 23 de julho de 2017

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O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, iniciou neste domingo uma viagem pelo Golfo para tentar acalmar as tensões entre o Catar e os quatro países da região que o acusam de apoiar os extremistas islâmicos.

O chefe de Estado turco, cujo país aparece como mais favorável ao Catar, oferece seus bons ofícios na disputa que o opõe aos quatro países árabes.

O rei saudita Salman falou com Erdogan sobre a conjuntura regional e "os esforços para lutar contra o terrorismo e suas fontes de financiamento", segundo a agência oficial Spa.

O presidente turco também se encontrou com o príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman, antes de viajar para o Kuwait, na segunda etapa de sua viagem.

Em sua chegada neste domingo à noite ao Kuwait, foi recebido pelo emir, o xeque Sabah al-Ahmad al-Sabah, mediador da crise sem precedentes que o Golfo atravessa.

Na segunda-feira se reunirá com o xeque Tamim ben Hamad Al Thani no Catar, onde é esperada uma calorosa recepção devido ao claro apoio de Erdogan a esse país.

Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Egito romperam as relações diplomáticas com o Catar em 5 de junho, acusando o país de apoiar o "terrorismo" e de se aproximar do Irã, rival regional do reino saudita.

"Não interessa a ninguém que essa crise se prolongue", declarou o chefe do Estado turco durante uma coletiva em Istambul, antes de embarcar para a Arábia Saudita. "O mundo muçulmano precisa de cooperação e solidariedade, não de novas divisões", insistiu.

A viagem de Erdogan acontece dois dias depois de receber uma proposta de diálogo do emir do Catar, o xeque Tamim Ben Hamad Al Thani, que rejeitou, contudo, qualquer tipo de "imposição".

Esta grave crise regional coloca a Turquia em uma situação difícil, já que Ancara mantém estreitos laços com o Catar e tem se esforçado nos últimos anos para aprofundar os vínculos com a monarquia saudita.

"Desde o começo da crise no Catar, nos posicionamos pela paz, pela estabilidade, pela solidariedade e pelo diálogo. Fizemos as propostas necessárias a todas as partes e continuamos fazendo", declarou Erdogan.

- Papel importante da Arábia Saudita -

O presidente turco disse que apoia a mediação do emir do Kuwait, o xeque Sabah al-Ahmad al-Sabah, e pediu aos demais países da região e à comunidade internacional que ofereçam um "forte apoio" aos esforços de seu "irmão".

Desde o início da crise, a Turquia tenta desempenhar um papel de mediador entre as diferentes partes, mas sua posição sem ambiguidades em favor do Catar reduziu sua margem de manobra, segundo vários analistas.

A Turquia é estreita colaboradora do Catar, cujas relações se fortaleceram nos últimos anos, tanto no âmbito econômico como no diplomático e de segurança. Ancara conta em especial com uma base militar no emirado rico em petróleo.

A Turquia, entretanto, mantém boas relações com a Arábia Saudita, peso-pesado das monarquias do Golfo.

Erdogan reconheceu neste sábado que o rei Salman da Arábia Saudita tem um "importante papel" a desempenhar na região.

O chefe do Estado turco ressaltou, por sua vez, o "bom senso" demonstrado, segundo ele, pelo emir do Catar desde o começo da crise.

A viagem do presidente turco coincide com uma visita ao Kuwait da chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, que se reuniu no domingo com os principais dirigentes do país.

Mogherini pediu o diálogo entre o Catar e seus vizinhos, e acrescentou que a União Europeia (UE) está disposta a apoiar o processo de negociações.

A chefe da diplomacia europeia expressou em 7 de julho o apoio da União Europeia à mediação do Kuwait na crise do Golfo, durante uma visita a Bruxelas de um responsável kuwaitiano de alto escalão.

AFP