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O ex-ministro José Lopez (C) detido em Buenos Aires em 14 de junho

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Foram necessárias quase 22 horas para contar US$ 9 milhões em maços distribuídos em 160 pacotes, encontrados com o ex-vice-ministro argentino José López - por 12 anos braço direito do poderoso ministro kirchnerista do Planejamento Federal Julio de Vido (2003-2015) e responsável pelas Obras Públicas.

Ontem, José López foi pego em flagrante depois de jogar sacolas com todo esse dinheiro no jardim do Convento das Freiras Orantes e Penitentes de Nossa Senhora de Fátima.

"São 8.982.047 dólares, 153.610 euros, 425 iuanes e 49.800 pesos, mais dois riales do Catar", detalhou o presidente do estatal Banco Província, Juan Curuchet.

Essa cena aconteceu na madrugada de terça-feira (14), na porta dessa casa religiosa de General Rodríguez, 50 km ao oeste de Buenos Aires. Além do protagonista, a história envolve duas freiras idosas, que dormiam no local, e um vizinho, que ligou para a Polícia, ao ver um homem jogando sacolas pelo muro do convento.

"Estava meio louco. Dizia: 'vão me prender'. Perguntei por que e ele me disse: 'porque eu roubei dinheiro para vir ajudar aqui'", contou à rádio La Red uma religiosa não identificada do convento.

A advogada de López, Fernanda Herrera, confirmou que seu cliente "está muito mal". "Tem alucinações, ouve vozes, está delirando".

Depois de ser atendido em um hospital da região, os médicos descartaram, porém, que ele tenha uma patologia psiquiátrica.

"Estava um pouco estressado e hipertenso, mas não outra coisa. Não detectamos nenhuma patologia", declarou o chefe de plantão, Patricio Diez.

A freira reconheceu López como uma pessoa amiga da instituição, assim como o ex-ministro De Vido. Ambos são muito próximos do arcebispo Rubén Di Monte, conhecido no bairro como o "pároco K" e falecido em abril passado.

"É um homem muito bom. Vinha aqui uma vez por ano e ele nos ajudava", relatou a religiosa.

Em visita de Estado à Colômbia nesta quarta-feira, o presidente argentino, Mauricio Macri, referiu-se à detenção de López como "um episódio vergonhoso, lamentável e incrível".

Macri manifestou seu desejo de que "a Justiça aja" e de que "isso não fique impune", de acordo com um comunicado divulgado pela Casa Rosada.

Com o novo governo que assumiu em dezembro de 2015, a Justiça ativou vários processos por suspeita de lavagem de dinheiro e evasão fiscal contra empresários ligados aos ex-presidentes Néstor e Cristina Kirchner (2003-2015).

Um deles é Lázaro Báez, de 59, bancário da província patagônica de Santa Cruz, reduto eleitoral do casal Kirchner. Fez fortuna com uma grande quantidade de obras públicas realizadas por suas empresas. Está preso desde 5 de abril por desvio de recursos para contas na Suíça.

As investigações contra Báez e López também descobriram sociedades com pessoas próximas a Macri. Em menos de seis meses de governo, o novo presidente já teve seu nome envolvido no escândalo dos "Panama Papers", sobre sonegação e evasão fiscal, e está sendo investigado pela Justiça.

AFP