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Manifestantes pró-referendo carregam cartaz escrito "democracia" durante protesto em Barcelona, em 24 de setembro de 2017

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A solidariedade com o referendo separatista catalão é forte na Escócia, onde os políticos denunciam a resposta de Madri às intenções independentistas catalãs e anunciam o envio de um grupo de voluntários à Catalunha para ajudar no processo.

Estes ativistas, que já participaram na campanha de referendo de separação da Escócia de 2014, viajarão a Barcelona nesta semana para a votação de domingo, 1º de outubro, declarada inconstitucional pela Justiça espanhola.

"Apoiamos os catalães", explicou à AFP Rory Steel, vice-coordenador da juventude do Partido Nacional Escocês (SNP), que governa a região, e que fará parte da delegação de 20 pessoas.

"Basicamente vamos para saber mais sobre o tema, trocar experiências e, acima de tudo, para apoiá-los".

Outra delegação de políticos e escritores também se deslocará como observadora, após as detenções de membros da administração catalã nos últimos dias e dos protestos subsequentes.

A chefe do governo escocês, Nicola Sturgeon, que também preside o SNP, expressou a sua inquietação pelos acontecimentos de Barcelona e apelou ao diálogo.

"O direito à autodeterminação é um princípio internacional importante e tenho a grande esperança de que será respeitado", disse Sturgeon em uma sessão do Parlamento regional, pedindo um acordo entre Madri e Barcelona como o que permitiu o referendo escocês.

- 'Somos catalães' -

Mas o apoio não vem somente dos nacionalistas.

Dezenove deputados regionais escoceses de diferentes partidos, incluindo não-separatistas, dirigiram uma carta aberta ao chefe do Governo espanhol, Mariano Rajoy, afirmando que sua resposta ao referendo "não é de nenhum modo democrática".

Na Escócia, o "não" à independência venceu por 55% a 45%.

Sturgeon argumenta que o apoio em massa na Escócia pela permanência na União Europeia (UE) em outro referendo, o do Brexit, deve servir para voltar a se pronunciar sobre a independência.

O ex-deputado do SNP no Parlamento britânico George Kerevan, que fundou um grupo parlamentar multipartidário sobre a Catalunha, disse: "o pior que podemos fazer é permitir que o governo de Madri esmague a democracia catalã".

"Se acreditam em uma democracia escocesa, se acreditam no direito escocês de votar, então vocês têm que defender o direito da Catalunha votar. Somos catalães e os catalães são escoceses", declarou.

Existe uma afinidade entre os separatistas catalães e escoceses, que se manifestaram no referendo escocês quando legiões de catalães foram à Escócia naquele período, como acontecerá nesta semana ao contrário.

Apesar disso, a direção do SNP manteve seus colegas catalães a certa distância porque queria apresentar a sua aspiração à independência como algo único e evitar interferências internacionais.

- Precedente para a Escócia? -

As diferenças entre o referendo escocês e catalão são grandes.

Londres permitiu o da Escócia depois que o SNP conseguiu uma vitória esmagadora nas eleições regionais de 2011 e após uma campanha lembrada como um modelo de compromisso democrático por ambos os lados.

Houve somente algumas detenções, a maioria por pequenas confusões como jogar ovos e insultos nas redes sociais.

A detenção dos organizadores da votação catalã e a apreensão de material causaram consternação na Escócia.

Alguns escoceses temem que se o governo de Rajoy conseguir evitar o referendo, seja aberto um precedente para Londres, que rejeitou até agora uma segunda votação na Escócia.

Jonathon Shafi, fundador da Campanha de Independência Radical da Escócia, considerou que "não é impossível que o Estado britânico acabe fazendo o mesmo em alguns anos se começar a parecer que a Escócia avança para a independência".

"Se permitirmos que o Estado espanhol estabeleça este tipo de práticas antidemocráticas, e que elas prosperam, então abre-se um precedente não somente para a Espanha, mas também para o Reino Unido e mais além".

"É um assunto de toda a Europa, é um assunto dos democratas em todo o mundo".

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AFP