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Sob a direção de apicultores experientes, os alunos aprendem como se aproximar das abelhas, cuidar delas e coletar seu mel.

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As escolas que ensinam a cultivar abelhas e colher mel nunca tiveram tanto sucesso na França, inclusive em cidades onde graças a essa atividade habitantes de todas as idades se mantêm em contato com a natureza.

Nas três colmeias-escolas da Associação da Abelha, perto de Montpellier (sudeste), "tem que fazer reserva com dois anos de antecipação para conseguir uma vaga", explica o responsável, Christian Pons.

Na região vizinha de Lyon "somos obrigados a rejeitar candidatos", confirma o presidente do sindicato de apicultura do departamento, Alain Rouchon, cujos cursos recebem entre 120 e 150 pessoas por ano.

O mesmo furor acontece nas escolas de apicultura da região de Paris, nos subúrbios de Montreuil (Seine-Saint-Denis), Vincennes (Val-de-Marne) e no centro de Paris, nos Jardins de Luxemburgo.

Embora as abelhas estejam ameaçadas por pesticidas, doenças ou pela uniformização agrícola, os alunos são cada vez mais numerosos nestes "criadouros" de futuros "pastores de abelhas". Sob a direção de apicultores experientes, procedentes de sindicatos e associações de apicultura, os alunos aprendem como se aproximar das abelhas, cuidar delas e coletar seu mel.

Para boa parte dos participantes, o objetivo é obviamente poder criar seus próprios enxames.

"Alguns esperam por exemplo encontrar na produção um pequeno complemento de renda, mais do que bem-vindo em tempos de crise", conta Pons.

Segundo a União nacional de apicultores franceses (Unaf), a apicultura amadora está em plena forma, com mais de 70.000 adeptos.

Estes novos apicultores também vêm das cidades e muitos querem "defender as abelhas, conhecendo-as melhor", explica Alain Rouchon.

Para estes moradores da cidade, o objetivo não é somente ter uma colmeia, e sim se interessar por essas "sentinelas do meio ambiente" que há anos simbolizam o declínio da biodiversidade.

Em menos de 20 anos, a produção de mel francesa caiu para a metade e há estudos que revelam o valor econômico do trabalho gratuito realizado por estes insetos, peças chave da polinização.

Variedades de mel

Hugo Gandour é um desses habitantes da capital que vai para a escola de apicultura de Montreuil, antes de tudo para "manter contato com a natureza", observando, por exemplo, a floração de tílias e acácias.

Gandour, um apicultor amador desde que vivia com sua família no leste da França, espera encontrar algum dia um terreno onde possa colocar suas colmeias perto da capital francesa.

Já não são raras as colmeias próximas à cidade. Há cada vez mais empresas que as colocam nos telhados de Paris, em um jardim, ou em uma pequena varanda, sempre e quando se respeitem as distâncias de segurança em relação aos vizinhos.

A cidade pode inclusive contribuir com a peculiaridade do sabor. Segundo o apicultor Guy-Noël Javaudet, instrutor da escola de Montreuil, "estes méis têm um gosto particular, que não estamos acostumados a encontrar no comércio", diz o especialista em um mel da acácia, uma árvore que se adapta perfeitamente ao meio urbano.

Com um pouco de perseverança, de gerência das condições meteorológicas e das diferentes florações um apicultor urbano pode obter 20 quilos de mel por ano.

Mas tudo isso tem um custo: entre 600 e 1.000 euros para duas colmeias e o material indispensável (roupas de proteção, extrator, defumador).

"A abelha na cidade não é mais do que um símbolo, e não é ali que a sua sobrevivência está em risco", admite Alain Rouchon.

"Na cidade se pode sensibilizar a opinião sobre as abelhas, mas o mais importante em matéria de apicultura não acontece no meio urbano", confirma Yves Vedrenne, presidente do sindicato nacional de apicultura (SNA) e instrutor em Vincennes (leste de Paris).

AFP