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Torre Eiffel ao fundo, e no chão lê-se "Nem Le Pen, Nem Macron", no dia 26 de abril de 2017, em Paris

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As derrotas do líder da esquerda antiliberal Jean-Luc Mélenchon e do conservador François Fillon no primeiro turno das eleições presidenciais francesas deixaram um sabor amargo em seus eleitores, que agora se recusam a escolher entre "dois males", Marine Le Pen e Emmanuel Macron.

A hashtag #SansMoile7mai (#Semmimem7demaio), data do segundo turno entre Le Pen e Macron, fez sucesso após o primeiro turno de 23 abril.

Muitos eleitores rejeitam visceralmente a extrema-direita da Frente Nacional (FN) de Le Pen, mas também não aceitam o centrista Macron, um ex-executivo do setor bancário acusado de ser ultraliberal e que, segundo críticos, provocará o aumento do número de votos da FN e aumentará as desigualdades.

"Um segundo turno entre a peste negra e o cólera financeiro", escreveu no Twitter Serge Vincent, que se apresenta como ator e sindicalista.

"Não escolho entre dois fascismos. De todas as maneiras, um levará o outro ao poder", afirmou Corinne, simpatizante de de Mélenchon.

Um terço dos eleitores de Mélenchon deve optar pela abstenção no segundo turno, de acordo com uma pesquisa do instituto Ifop.

Melenchon, que recebeu 19,6% dos votos no primeiro turno, depois de alguns dias em silêncio, se pronunciou no domingo claramente contra o "terrível erro" de se votar na candidata da extrema-direita, Marine Le Pen.

Mélenchon, no entanto, recusou-se a revelar se votará em branco ou em Emmanuel Macron.

Muitos políticos de quase todas as tendências pediram uma frente comum contra a candidata anti-imigração e antieuro, em nome da "frente republicana".

Mas a unidade contra Marine Le Pen é menos evidente que há 15 anos, quando seu pai, Jean-Marie, chegou ao segundo turno, quando foi derrotado de maneira esmagadora pelo então presidente Jacques Chirac (82%-18%).

- Resistência contra Macron -

Também há muita resistência dos simpatizantes do candidato derrotado da direita, François Fillon, a votar em Macron.

Muchos consideram o centrista o herdeiro do impopular presidente socialista François Hollande, um argumento que o próprio Fillon repetiu durante a campanha.

De acordo com a pesquisa Ipsos, 27% dos eleitores de Fillon devem optar pela abstenção ou votar em branco no dia 7 de maio.

Fillon era o grande favorito há alguns meses, mas um escândalo de empregos supostamente fantasmas - que teriam beneficiado parentes - provocou sua derrota no primeiro turno.

Entre os mais reticentes está o movimento católico conservador Sens Commun (Senso Comum), que apoiou abertamente Fillon porque ele prometia "restaurar os valores familiares" após um governo socialista marcado pela legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo.

"Como escolher entre o caos de Marine Le Pen e a podridão política de Emmanuel Macron?", questionou o presidente do Sens Commun, Christophe Billan.

"Entre a que deseja sair da Europa e o que nos propõe uma Europa a la Juncker, com suas transferências para países com salários a 600 euros por mês (...), o voto em branco parece uma boa opção", escreveu "CYP92", leitor do Le Figaro, em uma área de comentários do jornal conservador.

Muitos eleitores alegam que defendem a abstenção porque estão fartos e enojados com a política francesa.

Pesquisas apontam uma taxa de abstenção de 27% no segundo turno (contra 20% no primeiro turno), assim como uma vitória de Emmanuel Macron (61%) contra Marine Le Pen (39%).

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