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Equipes de resgate em meio a ruínas em Gaza, em 21 de julho de 2014

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Os esforços diplomáticos se intensificavam na tentativa de alcançar um cessar-fogo em Gaza, ao término de mais um dia de incessantes bombardeios israelenses que aumentaram para mais de 570 o número de palestinos mortos.

No dia seguinte à jornada mais violenta desde o início da guerra, o registro continuou aumentando, com pelo menos 55 palestinos mortos nesta segunda, incluindo 16 crianças, e cerca de 70 corpos encontrados em meio a escombros. Além disso, sete soldados israelenses morreram em combate.

O governo de Benjamin Netanyahu estava determinado a manter suas operações militares aéreas e terrestres em Gaza, controlada pelos islamitas do Hamas, para impedir os disparos de foguetes.

Durante todo o dia, o enclave palestino foi submetido a dezenas de ataques aéreos. No mais letal, um prédio residencial foi atingido, deixando 11 mortos - incluindo cinco crianças. Inúmeros disparos também foram efetuados por tanques. Um hospital foi alvejado e quatro pessoas morreram, de acordo com fontes palestinas. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) condenou esse ataque.

Na noite de domingo, um ataque israelense que tinha como objetivo eliminar um combatente do Hamas em Khan Yunis (sul do território) matou 25 membros da família Abu Jameh, no momento do "iftar", a refeição de quebra do jejum do Ramadã, de acordo com testemunhas e com a ONG israelense B'tselem.

- 'Possíveis crimes de guerra' -

A Anistia Internacional considerou que a manutenção dos bombardeios a residências civis e a destruição de um hospital "se somam a possíveis crimes de guerra que devem ser investigados com urgência" pela comunidade internacional, de forma independente.

Diante dos ataques cada vez mais intensos e da destruição de suas casas, mais de 100.000 habitantes de Gaza que não tinham para onde ir se refugiaram em dezenas de prédios da ONU, onde mulheres e crianças dormem no chão de corredores devido à falta de espaço.

Desde o início da ofensiva "Barreira Protetora", no dia 8 de julho, mais de 570 palestinos morreram e cerca de 3.300 ficaram feridos, de acordo com fontes dos serviços de emergência palestinos.

- 25 soldados israelenses mortos -

Do lado israelense, 25 soldados morreram desde o início das operações terrestres, no dia 17 deste mês. Esse é o registro mais pesado para o Exército desde a guerra de 2006 contra o Hezbollah libanês. Dois civis morreram atingidos por foguetes.

Enquanto isso, as tentativas diplomáticas de alcançar uma trégua se intensificaram, mediadas pelo Egito.

O secretário de Estado americano, John Kerry, chegou na noite desta segunda ao Cairo para discutir um cessar-fogo em Gaza, mas seus assessores alertaram que as negociações pelo fim da crise serão longas.

Kerry se reuniu com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que também está na capital egípcia para tentar uma trégua.

O chanceler americano prometeu 47 milhões de dólares em ajuda humanitária aos civis da Faixa de Gaza, maiores vítimas do conflito no enclave densamente povoado e sob bloqueio israelense desde 2006.

"A violência tem que parar, ela tem que parar imediatamente. O que vimos nos últimos dias é inaceitável", insistiu Ban Ki-moon no Cairo. Ele deve chegar a Israel na terça-feira.

O chefe da Liga Árabe, Nabil al-Arabi, pediu na noite de segunda para terça-feira que o Hamas aceite a proposta egípcia de cessar-fogo para acabar com os confrontos.

O Cairo propôs recentemente uma iniciativa por um cessar-fogo, apoiada pela Liga Árabe, aceita por Israel, mas rejeitada pelo Hamas.

- 'Proteger os civis' -

O movimento radical palestino, por meio de seu líder Ismail Haniyeh, mantém sua posição de condicionar um cessar-fogo "ao fim da agressão, à libertação de prisioneiros e à retirada total do bloqueio israelense" de Gaza.

A imprensa palestina mencionou na noite desta segunda a possibilidade de uma trégua humanitária de algumas horas na terça-feira.

Mas o ministro israelense encarregado dos Serviços de Inteligência, Yuval Steinitz, considerou que os "combates podem durar", enquanto seu colega das Comunicações Gilad Erdan disse que "não é o momento de falar de um cessar-fogo".

Para Israel, o objetivo é acabar com a capacidade do Hamas de atingir Israel com seus foguetes e combatentes, tentando destruir os túneis construídos pelo movimento para a passagem de armas e combatentes.

Apesar da intensificação das operações em Gaza, Israel foi atingido por 84 foguetes que não deixaram vítimas, aumentando o total de projéteis que caíram em território israelense para mais de 1.500 desde 8 de julho. O Exército anunciou ter matado "mais de dez terroristas" que tentavam se infiltrar em Israel por um túnel.

Fortemente criticado em razão do grande número de civis mortos nos bombardeios, Israel considera que os grupos armados palestinos estão se posicionando perto de prédios civis, como hospitais.

A Casa Branca pediu "que os israelenses tomem iniciativas ainda maiores para garantir a proteção dos civis", reafirmando o direito de Israel de "defender seus cidadãos" dos foguetes disparados pelos radicais palestinos.

Os Estados Unidos emitiram um alerta nesta segunda para que seus cidadãos não viajem para Israel, Faixa de Gaza ou Cisjordânia, devido à tensão.

Já a Turquia chamou de "massacre" a operação israelense e declarou três dias de luto em homenagem às vítimas palestinas.

Em Nazaré, maior cidade árabe-israelense, três mil pessoas participaram de uma manifestação denunciando "o genocídio em Gaza". Houve confrontos com a polícia e 16 pessoas foram detidas.

O atual conflito é o quinto entre os dois lados desde a retirada unilateral do Exército israelense de Gaza em 2005.

AFP