A liberal Zuzana Caputova, crítica do atual governo, está prestes a se tornar a primeira mulher chefe do Estado da Eslováquia em 30 de março, depois de vencer seu rival Maros Sefcovic no primeiro turno.

A advogada ambientalista obteve 40,57% dos votos contra 18,66% de Sefcovic, segundo resultados oficiais divulgados neste domingo. A participação foi de 48,74%.

De acordo com o instituto de pesquisas Focus, Zuzana Caputova, de 45 anos, larga com uma vantagem muito confortável na corrida para o segundo turno, com 64,4% das intenções de voto contra 35,6% para Maros Sefcovic, vice-presidente da Comissão Europeia, de 52 anos, apoiado pelo Smer-SD (esquerda populista) no poder.

"Espero que todos entendam que depende de nós e que não perderemos esta oportunidade", declarou Lubomir Brecka, de 40 anos, questionado pela AFP sobre a perspectiva de vitória da candidata liberal.

Neste domingo, os dois candidatos pediram apoio para suas candidaturas.

"Eu também vou tentar falar aos eleitores cujos candidatos não estarão presentes no segundo turno. Vou buscar todos os votos. Quero ser compreensível, autêntica, comunicar sobre as áreas em que vejo problemas e propor soluções", disse Zuzana Caputova em um debate na televisão.

Apresentando-se sob o slogan "Sempre pela Eslováquia", Sefcovic prometeu trabalhar "na reconciliação da sociedade", enfatizando seu apego aos valores cristãos.

"Não podemos apoiar o reconhecimento oficial de casais do mesmo sexo, nem a adoção de crianças por esses casais", disse ele, visando diretamente sua adversária.

Caputova defende direitos iguais para casais do mesmo sexo, dizendo que uma criança viverá "melhor com duas pessoas que se amam do mesmo sexo" do que em um orfanato.

Analistas dizem que a vitória de Caputova pode ser um mau presságio para o governo antes das eleições parlamentares do próximo ano.

Grigorij Meseznikov, analista de Bratislava, acredita que "ao escolher Caputova, as pessoas defendem mudanças positivas de acordo com os valores da democracia liberal".

"Aqueles que querem a continuidade e que o Smer-SD governe são claramente minoria. As pessoas parecem insatisfeitas com o caminho da Eslováquia" sob este partido, disse ele à AFP.

O analista Pavel Babos também aponta para os resultados dos outros dois candidatos presidenciais, incluindo treze no total, que receberam uma pontuação elevada - o juiz do Supremo Tribunal Stefan Harabin, anti-imigrantes (14,34%), e a deputada de extrema direita Marian Kotleba (10,39%).

"Outra parte do eleitorado também está insatisfeita com Smer, uma vez que são mais conservadores, então sua ideia de mudança é diferente, eles votaram em Harabin e Kotleba", disse à AFP. "Esses dois candidatos receberam 25% dos votos, o que é significantivo".

Exceto em caso de enorme surpresa, Caputova substituirá o presidente Andrej Kiska, que a apoia. As funções de Chefe de Estado são essencialmente protocolares.

A eleição ocorre mais de um ano após o assassinato do jornalista Jan Kuciak e de sua noiva Martina Kusnirova, um crime que afetou a imagem do governo e provocou protestos de rua de magnitude sem precedentes desde a queda do comunismo no início de 1990 neste país de 5,4 milhões de habitantes, membro da UE e da Otan.

A onda de indignação que varreu o país após o caso levou à renúncia do primeiro-ministro Robert Fico, que continua a ser o chefe do Smer-SD e um aliado próximo do primeiro-ministro Peter Pellegrini.

Jan Kuciak e sua noiva foram assassinados em fevereiro de 2018, quando o jornalista estava prestes a publicar uma investigação sobre supostas ligações entre políticos eslovacos e a máfia italiana.

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