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(Out/2014) Mulher se desespera ao receber a notícia da morte do marido, supostamente por ebola, na Libéria

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Um grupo de especialistas independentes com mandato da ONU denuncia em um relatório o atraso e as falhas da Organização Mundial da Saúde (OMS) na gestão da "epidemia sem precedentes" de Ebola.

O grupo "continua sem entender por quê os alertas precoces feitos entre maio e junho de 2014 não receberam uma resposta séria e adequada", afirma o documento, divulgado nesta segunda-feira em uma versão preliminar. O texto final será publicado em meados de junho.

A OMS só declarou estado de urgência mundial pelo Ebola em 8 de agosto. A epidemia afetou 26.000 pessoas e matou quase 11.000, essencialmente na Guiné, Libéria e Serra Leoa.

No sábado passado, a OMS deu por encerrada a epidemia de Ebola na Libéria após 42 dias sem o registro de novos casos.

Constatada a lentidão da OMS para reagir, os Estados membros da organização pediram em março a um grupo de especialistas que analisassem as razões das falhas no processo.

"Há um grande consenso para dizer que a OMS não tem uma capacidade suficientemente forte para realizar operações de emergência", afirma o relatório.

"Aconteceram graves lacunas nos contatos com as comunidades locais durante os primeiros meses da epidemia", completa.

O grupo de especialistas iniciou os trabalhos em 9 de março com a missão de "avaliar todos os aspectos da ação da OMS" ante a epidemia de Ebola.

O grupo é presidido pela britânica Barbara Stocking, ex-presidente da Oxfam Grã-Bretanha.

- Fragilidade estrutural -

A OMS sofreu uma fragilidade estrutural para responder às situações de emergência, segundo o grupo, que recomenda à organização que tente remediar de maneira rápida a situação.

O grupo recomenda em especial o reforço da capacidade operacional da OMS. Os Estados membros são convidados a implementar um fundo de emergência, assim como uma força de intervenção de saúde que poderia ser mobilizada imediatamente.

A OMS também deveria criar uma equipe multidisciplinar para responder às situações de emergência. Uma estrutura de comando clara, única dentro da agência, deve ser estabelecida.

Os especialistas recomendam que o Conselho Executivo da organização adote uma decisão a respeito em janeiro de 2016.

Ao comentar o atraso da OMS em responder à crise do Ebola, o relatório cita várias motivos: compreensão equivocada do contexto da epidemia, diferente das demais, informações pouco confiáveis nos locais afetados, negociações difíceis com os países envolvidos e lacunas na estratégia de comunicação da OMS, que não teve uma figura de autoridade durante a crise.

A resposta internacional só começou a ser ampla em setembro, quando o conjunto do sistema da ONU reagiu e foi criada outra estrutura, a Missão das Nações Unidas para a Luta contra o Ebola (UNMEER), destaca o relatório.

O documento preliminar será objeto de debate na próxima semana na Assembleia Mundial da Saúde, de 18 a 26 de maio em Genebra.

AFP